Não é apenas Bauru e o Jornal da Cidade que estão em festa hoje. No dia 1 de agosto de 1907, Robert Stephenson Smyth Baden-Powell promoveu o primeiro acampamento com a metodologia do escotismo, em Londres, na Inglaterra. Hoje, portanto, é comemorado o Dia Mundial do Escotismo, movimento que começou a ganhar a adesão dos bauruenses a partir da década de 30, de acordo com relatos daqueles que estão ligados à prática na cidade. E eles estarão auxiliando a megafesta.
O jornalista Luciano Dias Pires, 87 anos, recorda com saudosismo a época que frequentou um grupo de escoteiros, quando tinha apenas 10 anos. “Comecei a frequentar um grupo pequeno, cuja sede era nas proximidades da Praça Rui Barbosa, no Centro. Não me recordo o nome da equipe, mas guardo boas recordações”, conta Pires. Ele acrescenta que participou de competições e viagens, sendo que a mais marcante foi a visita ao Instituto Butantã, em São Paulo.
Pires entrou para o grupo graças ao incentivo de um professor de educação física da escola que estudava. “Nós participávamos de reuniões semanais, competições esportivas e excursões”, recorda o jornalista.
Ele diz também que aprendeu a respeitar a individualidade dos outros por meio de aulas de moral e civismo, além de honrar a própria saúde. “Recebíamos a orientação de que fumar não era uma coisa boa. Diante disso, eu nunca fumei e nunca permiti que meus filhos o fizessem”, completa.
O que era um grupo pequeno se transformou em uma prática forte entre os bauruenses. Hoje, a cidade conta com o Guia Lopes e o Tiradentes, que reúnem mais de 200 membros, sendo que a maioria é formada por crianças e adolescentes.
De acordo com Isabela Costa, 23 anos, assistente de chefia do Tiradentes, muita coisa mudou de 80 anos para cá e as novas tecnologias acabam dificultando a adesão das crianças ao escotismo.
“Eu entrei no grupo quando completei 6 anos e nunca mais saí. Contudo, quando eu era criança, os pequenos curtiam o ar livre, fato que facilita a adesão à prática. Hoje, por outro lado, as crianças estão muito ligadas a computadores ou videogames”, relata Isabela.
Ela reforça que, mesmo diante desta competição com a era digital, algumas crianças ainda têm interesse na área. “Eu sou professora de geografia em três escolas estaduais e consigo despertar a curiosidade nos meus alunos quanto ao escotismo”, conclui Isabela.
Sempre alerta!
Este é o lema de todos os escoteiros. Em Bauru, existem dois grupos. O Guia Lopes e o Tiradentes. O primeiro foi criado no dia 7 de setembro de 1963 por João Barbosa, que morava em São Paulo e já fazia parte de um grupo de escotismo da Capital.
Quando chegou a Bauru com a família, resolveu colocar a atividade em prática, fundando a equipe mais antiga da cidade. “O Guia Lopes conta com 143 membros, sendo 120 crianças e adolescentes”, pontua o chefe de lobinhos Sidnei Moura.
1976
Já o grupo Tiradentes é um pouco mais recente. Ele foi criado no dia 15 de novembro de 1976 por Jorge Ijuim, que fazia parte do Guia Lopes, mas depois de adulto resolveu fundar outra equipe. Zoraide Grassi, chefe de lobinhos da equipe, faz as contas e conclui que a equipe conta com 100 membros, sendo 70 crianças e adolescentes. “Sou adepta ao escotismo desde criança e os meus três filhos também fizeram parte do grupo”, relata Zoraide.
Movimento nasce para dar ‘gosto da vida’ a crianças
Robert Stephenson Smyth Baden-Powell nasceu em Londres, na Inglaterra, no dia 22 de fevereiro de 1857. Depois de conquistar um excelente desempenho na carreira militar, ele resolveu prestar atenção no comportamento de crianças e adolescentes durante a Revolução Industrial, em que muitos trabalhadores foram trocados por máquinas e os pequenos pareciam decepcionados com a situação precária das famílias. “Foi aí que ele teve a ideia de ajudar as crianças a terem algum gosto pela vida”, conta Zoraide Grassi, 71 anos, chefe de lobinhos do grupo Tiradentes.
Zoraide acrescenta que, ao estudar muito sobre educação de jovens, Baden-Powell desenvolveu uma metodologia, que é utilizada por todos os grupos de escotismo até hoje. Este método é classificado em cinco etapas, sendo a primeira delas o cumprimento de uma promessa baseada no respeito ao próximo, à Deus e à Pátria.
O segundo item trata da técnica de aprender fazendo, o terceiro fala sobre a necessidade de trabalhar em equipe, o quarto exige o desenvolvimento de atividades ao ar livre e o último, o respeito à individualidade dos outros.
Depois de chegar à metodologia, Baden-Powell realizou, no dia 1 de agosto de 1907, na Inglaterra, o primeiro acampamento, que durou uma semana e contou com a participação de 20 jovens. Oficiais da marinha brasileira presenciaram a reunião do grupo inglês e trouxeram a ideia ao País, que começou a ganhar adesão a partir do ano de 1914, sete anos após a criação da prática na Inglaterra. Em Bauru, Zoraide acredita que o escotismo tenha, pelo menos, 80 anos, porque presenciou a reunião de um grupo na Igreja Santa Teresinha há 60 anos.