"Os indígenas brasileiros estão vivendo uma ofensiva final", disse o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, em uma das duas mesas sobre questões indígenas desta edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip).
Para o estudioso, há um avanço sistemático dos grandes proprietários contra os direitos dos indígenas, garantidos pela Constituição de 1988. "Sob o olhar complacente do Judiciário, há uma campanha a todo vapor do legislativo para acabar com esses direitos. Precisamos lembrar que o Congresso brasileiro é formado por uma maioria de proprietários rurais".
Muito aplaudido, do lado de dentro e do lado de fora da Tenda dos Autores, ao lado do também antropólogo Beto Ricardo, Viveiros de Castro afirmou que o Mato Grosso, "onde não há mais mato", é a Faixa de Gaza do Brasil. "Os guaranis, ali, estão confinados em reservas mínimas, das quais são frequentemente expulsos. Trata-se de um território que está sendo devastado, arrasado".
O etnólogo acrescentou que, para ele, os indígenas têm a saída para o futuro da humanidade. "Agora, eles estão vendo o céu caindo sobre a cabeça deles. O fato, porém, é que o céu não está caindo apenas sobre a cabeça deles, mas sobre a cabeça de todos nós. Vivemos uma crise planetária geral, nós estamos acabando com as formas de vida nesse mundo, em ritmo acelerado. Estamos transformando esse mundo num lugar irrespirável."
E acrescentou: "Vamos ver essa civilização que se acha muito boa se humilhar. E é possível que só sobrem os índios. Ao final, serão um exemplo de como viver num planeta sem destruí-lo".