Esteve na delegacia nesta terça-feira (5), a jovem de 17 anos que denunciou ter sido vítima de estupro coletivo (envolvendo cerca de 10 homens) na noite do dia 1 de agosto, no Jardim Panorama, em Bauru. Ela mantém a denúncia, porém afirmou, em depoimento, que não conseguirá identificar todos. Outros cinco suspeitos de ter participado do ato, também foram ouvidos oficialmente nesta manhã.
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Quioshi Goto |
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Delegada Priscila ouviu testemunhas do caso e ouvirá a adolescente, na tarde desta terça-feira (5) |
Segundo a delegada Priscila Bianchini, do setor de defesa da mulher da Central de Polícia Judiciária (CPJ), a jovem corrobora com o seu primeiro depoimento, dado à Polícia Militar (PM) ainda na noite da última sexta-feira.
“Ela fala que estava na festa, do Parque Vitória Régia, e disse que bebeu pouquíssimo: meia garrafa long neck (250 ml), que eles falaram para ela tomar, no local de onde teria acontecido o estupro. Durante a festa ela disse que tomou apenas um gole de uma bebida das amigas dela e que depois ela pediu carona para um amigo dela (o jovem de 22 anos que está preso acusado pelo estupro), que estava com mais outros dois rapazes. Este amigo disse o local aonde estava o carro. Só que não chegou no carro”.
Antes mesmo de chegar aonde o veículo teria sido estacionado, a jovem teria se deparado com um grupo de rapazes, quando chegou em frente a um terreno baldio. “Ela disse que os meninos falaram: ‘Entra aí. Vamos entrar’. E, nessa situação de eles estarem mandando ela entrar, ela ficou com medo e entrou. Neste momento, ela disse que se sentiu ameaçada e entrou, quando eles abaixaram as roupas íntimas, obrigando-a a fazer sexo oral. A vítima disse que não houve agressão, não houve violência, mas ficou com medo de ser agredida, pela quantidade de homens que tinham lá, e que aí ela acabou praticando sexo oral com algum deles e ainda manteve relação sexual com outros”, acrescentou a delegada.
A jovem disse que lembra-se apenas do garoto de 22 anos, que acabou confessando a prática quando foi preso, na última sexta-feira, conforme noticiado pelo JC. A vítima ainda frisou que não conseguirá identificar todos os acusados, já que, quando manteve conjunção carnal com alguns deles, estava de costas.
Ela ainda confirmou, de acordo com a delegada Priscila, que as fotos nuas apresentadas em depoimento por alguns jovens são dela e esclareceu ainda que não foi roubada e não houve grave ameaça em nenhum momento. “Ela fala que perdeu o celular”, esclareceu.
Fotos e vídeo
De acordo com a delegada Priscila, as testemunhas também disseram que a adolescente teria trocado mensagens e enviado fotos nuas para alguns dos acusados. As fotos íntimas da jovem, inclusive, já estão com a polícia e foram anexadas ao inquérito.
A delegada também confirmou a suspeita de que teria um vídeo que mostra o ato no terreno baldio. Porém, quem teria as imagens não se apresentou à polícia e o setor de investigação aguarda a pessoa com o vídeo. Se realmente existir, ele será encaminhado para perícia e anexado ao inquérito.
Contradição
Um adolescente de 16 anos, suspeito de ter participado do estupro e cuja identidade será preservada, também foi ouvido pela delegada e liberado após não ser reconhecido pela vítima. Ele conversou com a reportagem do JC e contou que a jovem “se ofereceu” aos amigos.
“Eu estava no Parque Vitória Régia, quando encontrei meus amigos e outros rapazes. Eles estavam em sete. Fui até eles e apareceu a adolescente, que mora no meu bairro, mas não a conhecia. Ela se ofereceu, se exibiu e falou que faria sexo com eles. Minha companheira, inclusive, ficou brava. Fui embora e não vi mais nada”, declarou.
De acordo com ele, os amigos falaram que não foi estupro e foi ela quem consentiu. “Eles me disseram que como ela estava disposta a praticar sexo, eles foram atrás dela. Mas falaram que não fizeram nada que ela não quisesse”, contou.
Laudo
A Polícia Civil aguarda agora o laudo do Instituto Médico Legal (IML), realizado por médico legista na Maternidade Santa Isabel, onde a menina recebeu atendimento médico na madrugada de sábado. O resultado sai hoje e será fundamental para esclarecer o teor da denúncia e a veracidade dos depoimentos. “Se ficaram marcas, hematomas e até pequenas fissuras, o médico vai relatar”, esclareceu a delegada.
‘Querem acabar com a minha filha’, diz mãe
A mãe da vítima, cuja identidade será preservada, conversou com a reportagem do JC em relação às acusações das testemunhas ouvidas ontem. Segundo ela, a filha não consentiu o ato sexual e só se aproximou dos acusados porque os conhecia do bairro. “Ela me contou que se perdeu dos amigos com quem foi para uma festa. Porém, encontrou o vizinho e perguntou o horário que ele ia embora. Ele teria oferecido carona assim que acabasse o evento e disse que a deixaria na porta da casa”.
Segundo a adolescente relatou à mãe, esse vizinho falou que o carro que iriam embora estava na quadra acima e eles foram a pé. “Porém, chegando perto do terreno baldio, tinha um grupo de rapazes e uma situação toda armada. Ela perguntou sobre o carro e o rapaz a obrigou entrar no terreno e a empurrou. Fizeram ela ingerir bebida alcoólica e deram drogas dizendo que iriam deixá-la mais liberal e a estupraram”.
A adolescente contou que, após o ato, foi até a casa de uma mulher, que viu o estado dela e acionou a Polícia Militar. “Ela estava com a roupa toda suja de bebida, descalça. Estamos muito abalados. Nós somos evangélicos, não queríamos que ela fosse na festa. Meu marido até falou que o coração dele ficou apertado quando ela saiu com os amigos e o casal de vizinhos”.
Em relação às fotos, a mãe conta que a filha tinha fotos íntimas em seu celular, mas que não as enviava como afirmaram as testemunhas. “Eles estão arrumando um monte de amigos do bairro para testemunhar contra a minha filha. Tem gente que não estava na festa e veio depor. Eles roubaram o celular dela e pegaram as fotos íntimas para usar contra ela. Querem inverter a situação e acabar com minha filha, pois as fotos estão comprometendo a palavra dela”, disse.
A mãe ainda afirmou para a reportagem que não sabia das fotos e que a filha não deveria ter tirado. “Meu marido foi quem viu as fotos que estavam no celular. Ela tirou dela mesmo nua em casa, só que não ia adivinhar que eles roubariam o celular e divulgá-las. A gente nem sabia dessas fotos, que ela jamais deveria ter tirado e deixado no celular. Jamais. Agora, está todo mundo no bairro acusando ela. Terrível isso”.