Em seminário para empresários na manhã desta terça-feira (5), coordenadores de campanha dos candidatos Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB) se comprometeram a discutir e enviar ao Congresso o projeto de uma reforma tributária no primeiro mês de um eventual mandato, mas evitaram prometer redução da carga de tributos.
O candidato tucano foi representado pelo ex-presidente da Vale do Rio Doce Wilson Brumer e o pessebista pelo ex-deputado Maurício Rands -que, após discurso, deixou o local e foi substituído por Ana Carolina Marinho. Convidado, o coordenador do programa do PT, Alessandro Teixeira, justificou que não poderia participar do encontro, organizado pelo Lide (Grupo de Líderes Empresariais).
Rands e Brumer defenderam posições já manifestadas pelos candidatos na sabatina da CNI (Confederação Nacional da Indústria), na quarta-feira (30), como o corte de ministérios, a simplificação e unificação de tributos, menor intervenção estatal na economia e gestão baseada em meritocracia.
Questionado sobre a possibilidade de redução de impostos nos próximos dez anos, Rands disse que a coordenação da campanha de Campos é "cautelosa" sobre o estabelecimento de metas, mas diz que o candidato "se compromete a não aumentar tributos".
Brumer sinalizou aos convidados que "acha ser possível" reduzir a carga tributária nos próximos dez anos, mas disse que a redução "virá naturalmente". "Não dá para pensar em um primeiro momento, dizer vai sair de 'x' para 'y' em termos de cargas tributárias. Mas temos que colocar na agenda e colocar uma meta", disse.
Sabatina
No evento, os empresários manifestaram insatisfações, queixas e deram sugestões de medidas para desburocratizar a economia brasileira. Com tempo de dois minutos para responder às perguntas, os representantes das campanhas apresentaram propostas, mas evitaram detalhá-las.
Questionada pelo presidente da Abimip (Associação Brasileira da Indústria de Medicamentos Isentos de Prescrição), Jonas Marques, sobre a ausência de medicamentos em hospitais e carga tarifária nos produtos, Ana Carolina Marinho afirmou que Campos pretende aumentar as parcerias público-privadas para a construção de hospitais, destinar 10% do PIB à Saúde e incentivar "o brasileiro a diminuir a dependência de remédio". "Brasileiro é muito hipocondríaco", disse.
Os coordenadores também foram questionados sobre a possibilidade de um 'tarifaço' em 2015 -série de aumentos dos preços monitorados, como gasolina e energia. Eles afirmaram que os candidatos "estão discutindo" a medida, mas veem o aumento como inevitável.
"A situação da energia é muito crítica. Não sei o que vai acontecer após as eleições. No governo Eduardo Campos, não sei se vai aumentar de tarifa ou haver racionamento. Mas vamos ter que discutir com a sociedade", afirmou Marinho. Brumer defendeu discussão de um escalonamento a longo prazo para o aumento, para que a indústria se planeje.
Empresários ouvidos pela reportagem após o evento afirmaram que, apesar da ausência de representante do governo federal, o seminário é importante para demonstrar a insatisfação do setor com a economia. "Já passou da insatisfação, até. É uma total exaustão", criticou Estevan Cintra, diretor de uma empresa de consultoria.
Organizador do seminário, o empresário João Dória Júnior disse que, para o mercado, "é importante" que as plataformas dos candidatos demonstrem que desejam mudança de acordo com o "sentimento do empresariado". "Isso nos agrada", acrescentou.