Polícia

Caso de estupro coletivo está sob sigilo

Paola Patriarca
| Tempo de leitura: 2 min

A Polícia Civil, por meio do setor de defesa da mulher da Central de Polícia Judiciária (CPJ), informou, ontem, que não divulgará para a imprensa o andamento das investigações sobre o caso de estupro coletivo envolvendo cerca de dez homens, denunciado na noite do dia 1º de agosto, em Bauru.

De acordo com a delegada Priscila Bianchini, o  sigilo foi imposto para não atrapalhar as investigações. Assim, a polícia só voltará a falar com a imprensa ao fim do inquérito para divulgar a conclusão do caso, que deve ser finalizado na próxima segunda-feira.

Na manhã de ontem, novas testemunhas foram ouvidas formalmente. A Polícia Civil também recebeu o laudo do Instituto Médico Legal (IML), realizado por um médico legista na Maternidade Santa Isabel, onde a adolescente de 17 anos que teria sido estuprada recebeu atendimento.

O resultado, não divulgado, será fundamental para esclarecer o teor da denúncia e a veracidade dos depoimentos. Dois jovens, de 19 e 22 anos, conhecidos da garota e acusados do crime, seguem presos.

Conforme o JC apurou, não está descartada a possibilidade de a polícia pedir a prisão preventiva de outros suspeitos. Segundo relato de uma testemunha ao JC, todos alegam inocência, argumentando que as relações sexuais foram consentidas.

Versões

Anteontem, a adolescente que denunciou ter sido estuprada por cerca de dez homens em um terreno baldio do Jardim Panorama, em Bauru, foi ouvida na CPJ. Ela manteve o relato inicial, prestado ainda no dia 1º, mas adiantou, em depoimento, que não conseguirá identificar todos os suspeitos.

A jovem também informou que havia ingerido pequena quantidade de álcool antes de ir embora da festa realizada no Parque Vitória Régia. Ela pegaria carona com um conhecido, que estava acompanhado de outros dois rapazes, quando teria sido abordada por um grupo maior, na rua Dos Radioamadores, por volta das 23h.

A adolescente relatou, ainda, que, embora não tenha sido agredida antes do ato, sentiu-se intimidada e, por este motivo, não ofereceu resistência quando os jovens a chamaram para entrar no terreno baldio. Os rapazes abaixaram as roupas íntimas e, com medo, ela teria feito sexo com eles.

A garota confirmou que as fotos nuas apresentadas por alguns dos suspeitos são mesmo dela e esclareceu que havia perdido o celular. Testemunhas e acusados sustentam, no entanto, que a adolescente teria enviado as fotos íntimas para alguns deles. Conforme o JC apurou junto a uma testemunha, os envolvidos argumentaram que a jovem teria demonstrado disposição em manter relações sexuais com o grupo e que eles “não fizeram nada que ela não quisesse”.

Após o ato, todos teriam fugido e um deles, segundo a adolescente, teria roubado seu celular. Abandonada no terreno, ela procurou ajuda em uma das residências próximas, quando entrou em contato com Polícia Militar.

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