Tribuna do Leitor

Língua portuguesa comemora oito séculos de existência


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"E n´nome de Deus (no nome de Deus)". Eis as primeiras palavras do mais antigo documento em língua portuguesa do qual temos conhecimento. Trata-se do testamento do Rei de Portugal, Dom Afonso II, assinado no dia 27 de junho de 1214, do qual foram elaboradas 13 cópias, como consta do próprio testamento. Apenas duas chegaram até nós; uma delas está guardada nos arquivos da Catedral de Toledo, e a outra no tesouro do Arquivo Nacional da Torre do Tombo.

A fim de comemorar os 800 anos do nascimento da língua portuguesa, a célebre instituição expôs, apenas durante o dia da efeméride, o pergaminho original do mítico documento, junto com outros dois da mesma época: A notícia dos fiadores e a notícia do Torto.

Basta ler a primeira fase do testamento para constatar o sabor do idioma nascente e o quanto evoluiu até nossos dias; "en, o nome de Deus. Eu Rei Don Afonso pela gracia de Deus Rei de Portugal. Sendo sano e saluo, temete o dia de mi morte, a saúde de mia alma e a proe de mia molier Raina Dona Orraca e de meus filios e de meus uassalos e de todo meu reino fiz nãda per que de pos mia morte mia molier e meus filios e reino e meus uassalos e todas aquelas causas que Deus mi deu em poder sten em paz e em folgãcia"

A transcrição ao português moderno seria: Em nome de Deus. Eu, Rei Dom Afonso, pela graça de Deus Rei de Portugal estando são e salvo, temendo o dia de minha morte, para a salvação da minha alma e para proveito de minha mulher, a Rainha Dona Urraca e de meus filhos e de meus vassalos e de todo o meu reino. Fiz meu testamento para que depois de minha morte, minha mulher e meus filhos e meu reino e meus vassalos e todas aquelas coisas que Deus me deu para governar estejam em paz e em tranquilidade".

João Álvares - Jornalista da Associação Paulista de Imprensa

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