O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes autorizou nesta quinta-feira (7) a abertura de um inquérito e determinou que a Polícia Federal investigue se o deputado federal Rodrigo Bethlem (PMDB-RJ) recebeu dinheiro de entidades quando foi secretário municipal de assistência social no Rio de Janeiro (RJ).
Na terça-feira (5), o PSOL já havia protocolado uma representação contra o parlamentar no conselho do Ética da Câmara. Gravações de áudio e vídeo, reveladas pelos sites das revistas "Veja" e "Época" no fim de julho, mostram o ex-secretário admitindo receber propina na Prefeitura do Rio, além de ter uma conta na Suíça.
Bethlem foi filmado por sua ex-mulher, a empresária Vanessa Felippe, 38 anos, filha do presidente da Câmara de Vereadores, Jorge Felippe (PMDB). De acordo com as gravações, Bethlem, que deixou a secretaria de Governo em abril passado, teria desviado recursos em convênios da prefeitura carioca na área social. A propina chegaria a R$ 70 mil por mês.
De acordo com a edição online da revista "Veja", o deputado federal confessou os desvios em uma discussão com Vanessa. Eles se divorciaram após 16 anos. Bethlem desistiu de concorrer à reeleição após as denúncias.
Bethlem recebeu R$ 50 mil para campanha de empresa 'inidônea'
O deputado federal Rodrigo Bethlem (PMDB) recebeu R$ 50 mil de doação em 2010 para sua campanha da SCMM, empresa de limpeza, que fora considerada inidônea pela Controladoria Geral da União (CGU).
A informação foi revelada nesta quinta-feira (7) pelo "RJTV", da TV Globo. No mesmo dia, o Supremo Tribunal Federal autorizou a abertura de um inquérito para investigar o deputado federal por suspeita de corrupção enquanto atuou como titular em três secretarias da prefeitura do Rio (2009-2014).
Os dados constam em um relatório do Tribunal de Contas do Município, que investiga a atuação da empresa, desde maio de 2010 - dois meses antes da doação. Na época, chamou a atenção do TCM o fato de uma empresa especializada em limpeza fazer o serviço de manutenção da TV Câmara, onde venceu licitação para realizar o serviço no período de um ano, pelo valor de R$ 2.255,391,72.
O presidente da Câmara na época, responsável por ratificar o contrato, já era Jorge Felippe (PMDB), ex-sogro de Bethlem. A empresa teve seu contrato renovado ao término do período estipulado e, entre setembro de 2010 e 2012, os donos da Locanty Comércio e Serviços Ltda, João Alberto Felippo Barreto e Pedro Ernesto Barreto assumiram o controle da SCMM.
Neste período de renovação de contrato, a SCMM recebeu mais R$ 3.222,954,24. Em nota, a Câmara informou que a SCMM foi contratada por meio de concorrência pública e que elas foram habilitadas para participar das licitações. A reportagem não conseguiu contato com os representantes da empresa.
A assessoria do deputado federal Rodrigo Bethlem afirmou que o parlamentar não irá se pronunciar por enquanto e está ocupado preparando sua defesa. O deputado nega todas as denúncias de corrupção que tiveram início há duas semanas, após reportagens das revistas "Época" e "Veja".
As semanais divulgaram gravações de áudio e vídeo, feitas pela sua ex-mulher, Vanessa Felippe, nas quais o parlamentar admite receber propina da prefeitura do Rio, além ter uma conta na Suíça.