Há seis anos, Ana Carolina Quaggio Merli, 28 anos, sofreu uma queda que fraturou sua coluna. Ela foi submetida a três procedimentos cirúrgicos, mas a dor crônica continua com intensidade inexplicável, conforme ela mesma relata. “Começa nas costas e passa por todo o corpo. Não consigo nem sentir as pernas”, descreve.
No relatório médico, consta que a paciente sofre de dor neuropática por lesão raquimedular e síndrome pós-laminectomia. O professor de patologia e pesquisador Alberto Consolaro explica que a fratura ocorrida quando Ana Carolina caiu provocou um trauma no tecido nervoso da coluna.
“Imagine fios elétricos correndo dentro de tijolos empilhados. Se você quebra um dos tijolos, certamente irá atingir os fios elétricos. E este trauma pode alterar a maneira como esses fios continuarão enviando os impulsos elétricos para a ‘central’. No caso dela, esta central é o cérebro, que passou a acusar esta alteração como dor”, simplifica.
De acordo com relatório elaborado pelo neurologista Luis Gustavo Ducati e anexado ao processo, a jovem utiliza diversas medicações para controlar a dor, mas tudo é em vão. O especialista destaca que estes medicamentos deixam a paciente extremamente sonolenta, impedindo que ela participe de qualquer outra atividade, como estudar e trabalhar. Para melhorar a qualidade de vida de Ana Carolina, o neurologista chegou à conclusão de que o implante do eletrodo epidural seria a única solução.
“Toda sensação que temos é um impulso elétrico que vai até o cérebro. E o eletrodo dispara cargas elétricas que conseguem regularizar estes estímulos, o que alivia a dor. Há casos em que a dor é tão intensa, que somente o eletrodo consegue neutralizar”, completa Consolaro.
Em ação
Muitos bauruenses ficaram sensibilizados com o desespero do pai de Ana Carolina. Só na manhã de ontem, dois empresários entraram em contato com o JC demonstrando interesse em fazer doações consideráveis.
Um deles até sugeriu para que um grupo de empreendedores se juntasse com o intuito de arrecadar todo o dinheiro necessário para a compra do eletrodo de R$ 110 mil, que deverá melhorar a qualidade de vida da jovem.