Articulistas

"Os centros fora do centro"

Pedro Grava Zanotelli
| Tempo de leitura: 3 min

A equipe do Jornal da Cidade deu um valioso presente à população de Bauru com a edição especial em comemoração aos 118 anos da cidade. Foi feliz na concepção e competente na produção, não medindo esforços para pesquisar, colher informações e opiniões, dar unidade ao conjunto para entregar aos leitores uma obra atrativa e esclarecedora do que Bauru já tem, que justifica os elogios que recebe, e o que falta, alertando para o que espera da população e do poder público para não perder tempo e saber aproveitar as suas potencialidades de desenvolvimento.

Duas seções nos tocaram pessoalmente, a que fala da formação dos centros de comércio e serviços fora do centro da cidade, de Rose Araújo, que aproveitamos como título, e a pesquisa dos bairros, de Mariana Gasparini. Isso porque, no período de 1989/92 tivermos a oportunidade de servir como secretário municipal de administração e nosso primeiro trabalho foi fazer a reestruturação administrativa da Prefeitura, definindo as secretarias e demais órgãos, que foram oficializados pela Lei nº 3.089, de 24/7/89. Definimos dez secretarias e acrescentamos uma novidade ? os núcleos de administração regional, aproveitando a ideia implantada na Prefeitura de São Paulo pelo brigadeiro Faria Lima, para descentralização administrativa. Foram criados cinco núcleos: Centro, Bela Vista, Falcão, Parque São Geraldo e Jardim Redentor. Como seria uma experiência de descentralização, demos o nome de ?núcleo? e colocamos como divisões diretamente subordinadas ao prefeito. Administrações posteriores reuniram as divisões na atual Secretaria de Administrações Regionais.

Naquela ocasião a população de Bauru era de 250 mil habitantes e bairros populosos como o Mary Dota, ainda estavam para se instalar. Hoje, 25 anos depois, a população aumentou em pelo menos mais 120 mil e caminha para terminar a década com 400 mil. Vendo a descrição dos bairros e a formação de centros de comércio e serviço, agradou-nos verificar que não estávamos errados com a iniciativa de descentralização, para colocar mais perto da população, cada vez mais distante do centro, o atendimento pela prefeitura, principalmente nos serviços de obras públicas.

O distanciamento do centro original da cidade, devido ao crescimento horizontal, cria necessidades de deslocamento para suprimento do lar, frequentar escolas e para trabalhar, principalmente. É assim que vão surgindo padarias, açougues e empórios, que depois se expandem em supermercados, lojas, oficinas etc., formando núcleos comerciais. Vejam que a parte baixa da Vila Falcão, Bela Vista e Vila Cardia não formaram esses núcleos porque estavam próximas do centro. Foi na parte alta que eles foram se formando devido à distância. Os núcleos habitacionais da Cohab expandiram muito o perímetro urbano e os conjuntos de apartamentos do Minha Casa Minha Vida estão adensando vários desses bairros, o que leva a esperar maior desenvolvimento desses centros regionais, que devem ser incentivados e apoiados, com representação na Acib, CDL e Sincomércio.

Muito importante, além do aspecto econômico, é a formação de uma identidade comunitária, de um espírito bairrista, que tem orgulho do bairro onde mora e luta para que ele fique melhor. Esse aspecto, infelizmente, na maioria dos bairros é fraco. Existem associações de moradores, mas não são organizações nascidas da iniciativa dos moradores e, de um modo geral, são de natureza reivindicativa, apenas para solicitar de vereadores e do prefeito asfalto e outras melhorias. Não dão contribuição própria, as praças vivem no abandono, escolas e outros próprios da prefeitura são depredados. A manutenção dos Centros Comunitários fica por conta da Prefeitura, se ela não faz, ficam no abandono. Escola e igreja, de qualquer credo, são fundamentais para a formação do espírito comunitário. Não basta a cidade crescer, é preciso oferecer boas condições de vida para todos.

O autor é ex-presidente da Ordem dos
Velhos Jornalistas de Bauru.

Comentários

Comentários