O Brasil, segundo alguns dados estatísticos, está em segundo lugar no ranking de países com maior área plantada, na frente da China, Estados Unidos e Canadá, atrás somente da Rússia. No município de Lençóis Paulista, segundo estudos de geoprocessamento de 2010, cerca de 15% das áreas agrícolas estão sob cultivo de florestas comerciais (e cerca de 65% estão ocupadas por outras culturas).
Segundo dados publicados em 2007, dos 8,5 milhões de quilômetros quadrados do território brasileiro, aproximadamente 63,7% são cobertos por florestas nativas, 23,2% são ocupados por pastagens, 6,8% por agricultura, 4,8% pelas redes de infraestrutura e áreas urbanas, 0,9% por culturas permanentes e apenas 0,6% abriga florestas comerciais.
O cultivo de florestas comerciais na região centro oeste do Estado de São Paulo vem se expandindo nos últimos anos. Essa expansão é tida por alguns como favorável e por outros nem tanto. Alguns fatores precisam ser considerados em relação ao cultivo das florestas comerciais, tanto do ponto de vista econômico quanto técnico.
Evidência
“Do ponto de vista econômico tem sido a saída para alguns pequenos proprietários rurais, que encontram dificuldades na obtenção de créditos e sofrem com falta de incentivos dos governos para fomentar seus pequenos negócios. Dessa forma a alternativa é arrendar suas terras para o cultivo de madeira, que está mais em evidência nos últimos anos,” explica Sidney Aguiar, especialista em Sustentabilidade Corporativa.
Para ele do ponto de vista técnico, algumas áreas em que são cultivadas as florestas comerciais, são terras ociosas e de baixa qualidade agrícola. Em muitos casos inservíveis para outras culturas. “O reflorestamento comercial representa uma nova tendência, uma vez que a cultura de madeira comercial influencia positivamente nos microclimas locais, favorecendo o equilíbrio da biota regional.”
Conservação
Segundo ele, é comprovado que, quando o cultivo de florestas comerciais ocorre consorciado com florestas nativas, o equilíbrio dessas áreas nativas é maior. “A maior contribuição das florestas comerciais está relacionada à conservação dos solos, principalmente em solos mistos e frágeis em que o processo erosivo é bastante acentuado.”
Nessas áreas, as florestas comerciais adotam uma postura de proteção aérea, amortizando o impacto das chuvas no solo através de suas copas e da proteção radicular (raízes) que a planta exerce na contenção da sedimentação do solo. “Fundamentalmente, junto às culturas comerciais ocorrem a estabilização dos microclimas e uma consequente regularidade dos ciclos hidrológicos, fator muito favorável em relação às quantidades de chuvas nessas regiões.”
Tendência é ampliar a floresta, admite empresa
A Lwarcel de Lençóis Paulista tem uma floresta de eucalipto de 54 mil hectares e será ampliada, segundo o gerente florestal da Lwarcel Celulose, Ariel Evandro Fossa. “Nossa área florestal está sendo ampliada para acompanhar o crescimento previsto no projeto de ampliação e construção de uma nova fábrica, que pode iniciar as atividades em 2017”, conta. “Temos planos de ampliar nossa capacidade de produção e, para isso, precisamos de mais madeira, que é a nossa principal matéria-prima. Para a ampliação será necessário atingir 80 mil hectares de florestas plantadas de eucalipto até abrir a nova fábrica.”
Para atingir o objetivo, a empresa vai comprar terras, mas em baixa escala, informa o gerente. “A maior parte da ampliação da base florestal ocorrerá em sistema de parceria com produtores rurais e via arrendamento de terras. Os contratos terão 14 anos de duração e para áreas com distância de até 150 km de Lençóis Paulista, onde está localizada nossa fábrica.”
Para abastecimento de 10% da demanda futura de madeira será utilizado o programa de Fomento Florestal da empresa. O gerente explica que a madeira é utilizada em sua maioria na produção de celulose e uma parte é destinada à produção de energia na termoelétrica da empresa, gerando vapor e energia elétrica para o Grupo Lwart.
A Duratex foi contatada, mas não respondeu as questões solicitadas pelo JC.
Planta não absorve água em quantidade
A tese de que o cultivo de eucalipto absorve quantidades exorbitantes de água é equivocada, na opinião de Sidney Aguiar. “Estudos apontam para outra realidade. O eucalipto por ser uma espécie arbórea, depende mais do processo de fotossíntese (reação química dos vegetais utilizando gás carbônico + energia solar + água = oxigênio + água) para seu crescimento, sendo que 70% dos nutrientes estão na própria planta.”
Outras culturas agrícolas, de acordo com ele, absorvem mais água que o eucalipto. “Por não terem as mesmas características metabólicas que a espécie possui. As culturas agrícolas de citrus, grãos e leguminosas, por exemplo, consomem mais água do que a cultura de reflorestamento comercial.”
A ideia de que o cultivo do reflorestamento comercial vai acabar com a água e com os alimentos é utópica. “Jamais isso vai acontecer, a cultura comercial de madeira é a única que pode ser consorciada com outras plantações, ocupando as mesmas áreas de manejo sem prejuízos adicionais.”
O coordenador chefe de operações da Defesa Civil de Cabrália Paulista, Evandro Cavarsan diz que desconhece problemas com a contaminação dos mananciais. “Sem contar que, hoje, as exigências ambientais são muito rígidas”, diz.
Eucalipto é destaque evidente em fazendas
O município de Cabrália Paulista (45 quilômetros de Bauru) é privilegiado quando o assunto é floresta comercial. São 6.500 hectares de eucalipto plantado e 200 hectares de pinus. Só para se ter uma ideia são 7 milhões e 800 mil metros de eucalipto que dariam em extensão 41.700 campos de futebol iguais ao Maracanã. A informação é do coordenador chefe de operações da Defesa Civil do município, Evandro Cavarsan.
“Em Cabrália existem várias propriedades espalhadas pela base territorial do município onde estão localizadas as florestas. Onde se destaca o plantio de eucalipto pois as três maiores do ramo estão aqui. Existem fragmentos de floresta nativa dos tipos semidecidual (Mata Atlântica), cerrado e cerradão.”
As florestas nativas, segundo ele, são interligadas pelas comerciais que fazem o papel de “corredores ecológicos” por onde se deslocam vários animais e aves silvestres da região, fazendo com que os mesmos não se exponham em campo aberto diminuindo a mortandade deles. Para ele, as florestas melhoram o aspecto paisagístico.
Curso prepara nova função
O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) oferece vários cursos para preparar o trabalhador rural para novas funções, informa a auxiliar da coordenadora do Senar, Vanessa Evaristo da Veiga Cabral. “Para Bauru e região, o curso que tem maior demanda é da horta orgânica, pecuária leiteira, jardinagem. Para as mulheres, temos os cursos de processamento suína, leite e seus derivados, queijo, requeijão, leite condensado. Há ainda cursos de eletricista, hidráulica e pedreiro.
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