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Em 2003, piloto foi contratado para trabalhar em empresa bauruense |
“Ele era um piloto excepcional e excelente pessoa”. Essa foi uma das frases que o advogado bauruense, Adírson de Oliveira Deder Júnior, de 47 anos, usou para definir o piloto e amigo Marcos Martins, 42, que morreu na queda do jato do candidato à presidência Eduardo Campos (PSB), ocorrido na manhã de ontem em Santos. Martins viveu em Bauru entre 2003 e 2008.
Oliveira foi patrão de Marcos nesses cinco anos e o contratou para trabalhar como piloto exclusivo de sua empresa de advocacia. “Ele foi indicado por um amigo que trabalhava no ramo da aviação. Quando o contratei, logo vi sua qualidade. Aliás, todas as pessoas que voavam com ele, o elogiavam por sua postura”, fala.
O advogado ainda conta que o piloto também era um bom amigo, tanto que o convidou para ser seu padrinho de casamento. “Viajávamos sempre a negócios, mas criamos um grande vínculo porque passávamos muito tempo juntos. Conheci toda a família dele e sei o ótimo filho, esposo e pai que ele era”, lembra.
Marcos também fazia muitos cursos para se atualizar na profissão e gostava de frequentar o Aeroclube de Bauru. “Enquanto não estava voando comigo, ele estava estudando. Ele era um profissional muito responsável. Sempre cumpriu todos os horários e tinha muitos conhecidos no Aeroclube”.
Os dois trabalharam juntos até 2008, quando Oliveira vendeu seu bimotor. Segundo o advogado, ‘Marquinhos’ sempre teve o sonho de pilotar jatos e se mudou pra Jundiaí (294 quilômetros de Bauru), onde começou a trabalhar com este tipo de aeronave. “Ele gostava muito daqui, mas se mudou para dar um passo na carreira. Depois disso, ele foi para São Paulo e eu soube que ele estava bem na profissão, voando com personalidades como artistas e políticos”.
Falha
Além de Oliveira, outros amigos que Marcos fez em Bauru – que preferiram não se identificar - são unânimes ao definir o piloto como experiente. “Sei que não podemos descartar nenhuma hipótese, mas acho pouco provável que a falha tenha sido dele. Ele tinha muitas horas de voo e era muito seguro no que fazia”, comentou um deles.
O antigo patrão também analisou o acidente. “Já tivemos algumas situações de pouso com tempo ruim em Bauru. Inclusive já arremetemos uma vez, mas ele sempre soube controlar a aeronave. Do meu ponto de vista, deve ter acontecido alguma coisa que não dependia dele. Estou muito triste, é uma tragédia”.
Oliveira contou que os dois últimos e-mails que Marcos Martins lhe mandou foram sobre acidentes. “Em um deles, ele escreveu que a vida é uma insegurança. Triste coincidência”, lamentou o ex-patrão.
Trajetória
Marcos Martins nasceu na cidade de Cruzeiro do Oeste, no norte do Paraná, mas foi criado em Maringá, cidade da qual seu bisavô, Joaquim Fontes, foi pioneiro. Formou-se no Aeroclube de Londrina e morou em cidades como Bauru e Jundiaí. Atualmente, vivia em São Paulo e exercia a profissão há 15 anos.
De acordo com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Marcos, que era o comandante responsável pelo voo, e o outro piloto Geraldo da Cunha, de 44 anos, que também estava na aeronave, tinham – juntos - mais de 1.500 horas de voo.
Segundo informações de familiares, o piloto trabalhava há pouco tempo com Eduardo Campos, mas tinha muita experiência.
Martins deixa a esposa Flávia Vargas Martins, de 32 anos, e dois filhos pequenos, de 6 e 2 anos.
