Nacional

Corpos de Eduardo Campos e outras seis vítimas devem ser liberados entre sexta e sábado

Por Gustavo Uribe e José Marques | Folhapress
| Tempo de leitura: 6 min

Os corpos das vítimas do acidente que matou na quarta-feira (13) o candidato à sucessão presidencial Eduardo Campos devem ser liberados entre sexta-feira (15) e sábado (16) para serem transportados para as suas cidades natais.

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, explicou nesta quinta-feira (14) que, a pedido da viúva Renata Campos, os corpos das sete vítimas serão liberados ao mesmo tempo após a conclusão dos trabalhos de identificação. Ele afirmou ainda que o trabalho de coleta dos restos mortais foi encerrado nesta tarde.

"A coleta está encerrada. E faltava apenas o perfil genético de um dos pilotos, de Governador Valadares (MG). Um avião com um perito já foi à cidade fazer a coleta com um parente de primeiro grau para o trabalho de reconhecimento do material genético", afirmou o tucano.

O governador de Pernambuco, João Lyra Neto, que se reuniu nesta quinta-feira (15) com Geraldo Alckmin, explicou que o transporte dos corpos será feito em aviões, "provavelmente cedidos pela FAB" (Força Aérea Brasileira).

"Ontem (14), a presidente Dilma Rousseff colocou à disposição todos os serviços que possam ser feitos pelo governo federal", afirmou, após o encontro promovido na sede do governo paulista.

O pernambucano explicou que os corpos das quatro vítimas de Recife serão transportados na mesma aeronave: Eduardo Campos (ex-governador), Marcelo Lyra (cinegrafista), Alexandre Severo (fotógrafo) e Carlos Augusto Leal Filho (assessor).

De acordo com ele, o sepultamento dos corpos será realizado 24 horas depois da chegada ao Recife.

"O sepultamento já está definido pela família. O velório será no Palácio das Princesas e o sepultamento de Eduardo Campos será no Cemitério Santo Amaro, junto ao túmulo de Miguel Arraes", afirmou.

Segundo o governador, a família do presidenciável decidiu permanecer em Recife (PE) até a conclusão dos trabalhos pelo IML (Instituto Médico Legal) de São Paulo.

A reunião no governo paulista tem como objetivo definir como serão transportados os corpos das sete vítimas. Além dos dois governadores, participaram os deputados federais Marcio França (SP) Beto Albuquerque (RS) e Júlio Delgado (MG), entre outros.

TRABALHO

Cerca de 50 pessoas trabalham na identificação dos restos mortais das sete vítimas do acidente de avião. O avião em que estava o ex-governador e presidenciável caiu na quarta-feira (13) em Santos, no litoral paulista. As sete pessoas que estavam dentro da aeronave morreram.

PSB/Divulgação

Eduardo Campos morreu aos 49 anos de idade

A identificação começou a ser feita na noite de quarta. Em Santos, as buscas por fragmentos dos corpos já estão na fase final.

"Esperamos concluir a identificação o mais rápido possível para que a dor dessas famílias não se prolongue. É um trabalho complexo. Não temos prazo, porque a gente segue protocolos internacionais de identificação para situações como essa", afirmou o diretor.

Beto Albuquerque, vice-presidente nacional do PSB, partido de Eduardo Campos, está nesta quinta no IML e disse que, "em um prazo muito otimista, a identificação dos restos mortais acabará no sábado".

Embora o dentista de Eduardo Campos, Fernando Cavalcanti, tenha enviado registros da arcada dentária do pessebista ao instituto, Miziara diz que "o grosso" da identificação será feita por exames de DNA, por conta dos estado dos fragmentos de corpos. A coleta de amostras de sangue e saliva dos familiares de primeiro grau das vítimas para comparação genética, segundo ele, já está sendo feita.

O material genético de parte dos parentes das vítimas será transportado do Recife e de Aracaju. As amostras das famílias do copiloto Marcos Martins e do cinegrafista Marcelo Lyra estão sendo coletadas em São Paulo e o do piloto Geraldo Magela em Minas Gerais.

AUTORIDADES

Autoridades da política pernambucana estiveram na manhã desta quarta no IML central de São Paulo, em Pinheiros, onde os fragmentos de corpos são analisados. Além de Beto Albuquerque, estiveram no local o deputado federal Júlio Delgado (PSB), o candidato a governador de Pernambuco pelo PSB, Paulo Câmara, e o ex-ministro Fernando Bezerra Coelho (PSB).

Paulo Whitaker/Reuters

O avião em que estava o ex-governador e presidenciável caiu na quarta-feira (13), em Santos

O secretário de Segurança Pública de São Paulo, Fernando Grella, o ex-ministro da Saúde e candidato ao governo Alexandre Padilha também estiveram no IML.

Até as 12h, dois veículos transportaram para a instituição os restos mortais das vítimas. A chegada de ao menos mais um veículo é esperado até o fim do dia.

Um dos carros chegou às 20h45 desta quarta e um às 7h40 da quinta. Ao todo, segundo funcionários do órgão, foram transportados 11 sacos com os restos mortais de Santos à Capital.

COMO FOI A TRAGÉDIA

O candidato do PSB à Presidência, Eduardo Campos, seguia para um compromisso de campanha em Santos, no litoral paulista, quando o jato em que estavam o ex-governador de Pernambuco e outras seis pessoas caiu, por volta das 10h, desta quarta-feira (13) sobre uma área residencial no bairro do Boqueirão, região central.

Nenhum ocupante da aeronave sobreviveu. No local, ao menos sete pessoas ficaram levemente feridas.

Além de Campos, 49 anos, morreram no acidente Pedrinho Valadares, 48 anos (ex-deputado e assessor do candidato), Carlos Percol, 36 anos (assessor de imprensa), Alexandre Severo, 36 anos (fotógrafo), Marcelo Lyra, 36 anos (cinegrafista), Marcos Martins, 42 anos (piloto) e Geraldo Cunha, 45 anos (copiloto). As causas da queda não foram confirmadas.

O avião Cessna 560 XL, prefixo PR-AFA, decolou às 9h20 do aeroporto Santos Dumont, no Rio, com destino à Base Aérea de Santos, que fica em Guarujá, município vizinho. Segundo a Aeronáutica, o jato arremeteu devido ao mau tempo quando se preparava para o pouso. Em seguida, o controle de tráfego aéreo perdeu contato com a aeronave - que não tinha problemas com a documentação.

A candidata a vice na chapa do PSB, Marina Silva, embarcaria no mesmo jato no Rio, mas, na última hora, decidiu seguir em um voo de carreira para São Paulo.

Renata Campos, mulher do ex-governador e mãe de seus cinco filhos, também acompanhava o marido na cidade e voltou para Recife num avião comercial com o caçula, Miguel, de sete meses.

Governador de Pernambuco por dois mandatos, ministro de Ciência e Tecnologia no governo Lula, presidente do PSB e ex-deputado federal, Campos estava em terceiro lugar na disputa eleitoral com 8% das intenções de voto, segundo o Datafolha.

Paulo Whitaker/Reuters

Peritos trasportam parte do avião que caiu em Santos nesta quarta-feira

A presidente Dilma Rousseff (PT) lamentou a morte do ex-ministro, decretou luto oficial de três dias e suspendeu suas agendas de chefe de Estado e de candidata - assim como Aécio Neves (PSDB), que elogiou o político.

Visivelmente abatida, Marina exaltou os dez meses de convivência com Campos. Ela é cotada para assumir a cabeça da chapa do PSB.

Testemunhas do acidente afirmaram que o jatinho estava em chamas antes de cair e que ouviram um forte estrondo seguido de uma explosão. Destroços do avião se espalharam, atingindo vários imóveis.

O teto de uma academia de ginástica desabou. Algumas casas tiveram de ser esvaziados pela Defesa Civil.

Será necessário fazer exame de DNA para a identificação de algumas vítimas. Os restos mortais foram encaminhados ao IML de São Paulo.

A queda do avião de Campos ocorreu no mesmo dia da morte do avô, o ex-governador de Pernambuco, Miguel Arraes (13 de agosto de 2005). Ele foi o responsável pela introdução do neto na política no fim dos anos 80. Campos será enterrado no túmulo do avô, no centro do Recife. A data e o horário do sepultamento não foram divulgadas.

Além de Miguel, Campos deixa os filhos Maria Eduarda, João Henrique, Pedro Henrique e José Henrique e Miguel. Ele era filho de Ana Arraes, ministra do TCU (Tribunal de Contas da União), e do escritor Maximiano Campos (1941-1998).

Comentários

Comentários