O volante do Flamengo Luiz Antonio de Souza Soares, 23 anos, conhecido como Luiz Antonio, foi depor em uma delegacia no centro do Rio nesta quinta-feira (14).
O jogador chegou à delegacia por volta das 13h55 desta quinta (14) acompanhado de um advogado e não quis falar com a imprensa.
Ele foi intimado a prestar depoimento sobre ligação com a Liga da Justiça, milícia acusada de torturar, extorquir e assassinar moradores da zona oeste do Rio. A milícia seria a maior do Estado.
De acordo com as investigações, Luiz Antônio presenteou com um Ford Edge, avaliado em cerca de R$ 130 mil, o ex-PM Marcos José de Lima Gomes, suspeito de ser um dos chefes da milícia.
Conhecido como Gão, o ex-PM está preso.
Segundo a polícia, a Liga da Justiça, formada por ex-policiais e policiais da ativa, explora moradores de Campo Grande, cobrando taxas por serviços básicos.
Luiz Antônio foi titular da equipe que conquistou a Copa do Brasil no ano passado.
O Flamengo informou que só se pronunciará após a conclusão das investigações.
Segundo a polícia, após a entrega do presente, o pai do meio-campista, Luiz Carlos Soares, 52, registrou o roubo do veículo em uma delegacia, no dia 11 de janeiro deste ano.
Como o carro estava com o miliciano, o delegado Alexandre Capote, que investiga o caso, suspeita que Luiz Antônio e o pai tentaram aplicar um golpe para receber o dinheiro do seguro.
A investigação aponta que o miliciano teria ficado com o veículo por duas semanas e depois passado o carro a outro integrante do grupo.
Na semana passada, 21 membros da Liga da Justiça foram presos acusados, entre outras suspeitas, de explorar apartamentos do programa Minha Casa, Minha Vida.
A polícia suspeita que a milícia lucrasse R$ 1 milhão por mês pela cobrança de serviços de 5.000 moradores.
Um depoimento de uma testemunha revelado no domingo (10) pelo programa Fantástico, da Rede Globo, mostra que os milicianos realizavam festas e churrascos semanais.
Os encontros aconteciam às sextas e sábados sob um forte esquema de segurança. "Há uns 168 fuzis", revelou a testemunha.
A esses churrascos compareceriam um jogador de futebol -suspeita-se que seja Luiz Antônio- e cantores de grupos de pagode.
A polícia investiga se Luiz Antônio passou a frequentar as festas levado por outro suspeito: o policial civil Alexandre Antunes, que trabalhava na delegacia onde o roubo do carro foi registrado pelo pai do jogador de futebol.
Na segunda (11), o secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, pediu à Justiça a transferência de Gão a uma unidade federal.