Cultura

É Bauru na final!


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Fotos: Divulgação

Drika Valério já ganhou o mesmo concurso na edição 2012 e neste ano concorre novamente: “Ideia foi criar peças inclusivas que sirvam para qualquer tipo de pessoa, independente da sua condição física”

A estilista bauruense Drika Valério está entre os 20 finalistas da 6ª edição do Concurso Moda Inclusiva, promovido pela Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo. O vencedor será definido na apresentação das produções finalistas em desfile que ocorre hoje, a partir das 18h30, no Palácio das Convenções Anhembi, em São Paulo.

Valério foi a campeã da 4ª edição do Concurso Moda Inclusiva, em 2012, com um look de um vestido de noiva dividido em duas peças - saia e corpete -, desenhado para facilitar o vestir. Após isso, iniciou um projeto voltado exclusivamente para a inclusão na moda, no qual se dedica à confecção de peças em seu ateliê, em Bauru, e as comercializa pela Internet.

A estilista explica que o projeto foi desenvolvido para o Trabalho de Conclusão de Curso de design do Instituto de Ensino Superior de Bauru (IESB Preve), já com o intuito de inscrevê-lo no Concurso de Moda Inclusiva. “Trabalhei com um tema ‘incomum’, o Vestido de Noiva Inclusivo, que foi desenvolvido levando em conta as opiniões do público-alvo (pessoas com deficiência), mas não somente, pois o verdadeiro conceito do inclusivo é ‘incluir’ e isso, para todos os tipos de pessoas”, declara.

Neste ano, Valério propõe levar às pessoas com mobilidade reduzida temporária ou permanente uma vestimenta prática, estimulando a autonomia e projetando peças com base na tecnologia assistiva - adaptar produtos existentes para pessoas com deficiência - e no design universal - projetar pensando em todos. “Minha principal proposta, com esta coleção, é criar peças inclusivas que sirvam para qualquer tipo de pessoa, independente da sua condição física”, afirma a estilista.

Preconceito

Valério revela que no decorrer do seu trabalho com moda inclusiva se deparou com preconceito e resistência. “Senti na pele o quanto algumas pessoas ainda são resistentes ao diferente sem saber o dia de amanhã. Ouvi expressões como: ‘O teu projeto não tem nexo’, ‘Roupa de noiva pra deficiente?’ ‘E deficientes por acaso, se casam?’ e por aí vai... Infelizmente, é a ignorância humana”, lamenta.

A estilista explica que, no caso do Vestido de Noiva Inclusivo, o projeto foi se moldando, tendo como base duas metodologias. “O design universal, que consiste em projetar para todos, pensando em atingir o maior número de pessoas possível, aliado à tecnologia assistiva, que é quando se tem um produto e ele é adaptado para pessoas com deficiência”, define Valério.

“Vai além de projetar pensando nas pessoas com deficiência, passando a pensar no todo, colaborando para a extinção do preconceito e promovendo a verdadeira inclusão social, e não desenvolver produtos exclusivos para pessoas com deficiência”, conclui Valério. O  projeto Concurso Moda Inclusiva tem apoio da Vicunha.

Croquis de alguns modelos de roupas projetados pela bauruense

 

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