Lucas Jackson/Reuters |
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O chefe da polícia de Ferguson, Thomas Jackson, anuncia o nome do policial envolvido na morte do jovem |
A polícia de Ferguson, no Estado de Missouri (EUA), identificou o policial que matou o adolescente negro Michael Brown, 18 anos, no último sábado (9).
Thomas Jackson, chefe de polícia de Missouri, disse nesta sexta-feira (16) que Darren Wilson, que trabalha na polícia há seis anos e não tem medidas disciplinares contra ele, foi o responsável pela morte de Brown.
Em declarações à CNN mais cedo, Jackson descreveu Wilson como "um policial fantástico".
Obama
A morte de Brown levou a depoimentos conflitantes de testemunhas e policiais sobre a causa de sua morte.
Desde domingo (10), violentos protestos tomaram conta da cidade e mais de 50 pessoas foram presas.
A pequena cidade viveu na quarta-feira (13) sua quinta noite de protestos, em um episódio que trouxe novamente à tona o sensível debate sobre racismo nos Estados Unidos.
A polícia também chegou a prender dois jornalistas --Wesley Lowery, repórter de política do jornal "The Washington Post", e Ryan Reilly, que trabalha para o "Huffington Post"--, mas ambos foram postos em liberdade sem acusações contra eles.
O presidente Barack Obama pediu na quinta (14) à polícia "transparência" e criticou o "uso excessivo de força".
Diferentes versões
De acordo com uma testemunha, Brown estava desarmado e caminhava pela rua quando um policial atirou nele, apesar de a vítima estar dominada, com as mãos para o alto. Já a Polícia de St. Louis, capital do Missouri, indica que Brown foi morto depois de ter agredido o policial e de ter tentado roubar sua arma.
Em função da situação, o governador do Missouri escolheu o chefe da Polícia Rodoviária Estadual, capitão Ron Johnson, de origem afro-americana, para liderar as operações em Ferguson a partir de quinta à noite.
Nos Estados Unidos, a Polícia Rodoviária é de jurisdição estadual, e não federal.
Johnson é natural dessa cidade e é negro, como pelo menos 14.000 dos 20.000 habitantes locais. Já a polícia é de maioria branca.
"Cresci aqui, e essa é minha comunidade e minha casa", disse o capitão. "Significa muito, para mim, romper esse ciclo de violência e reconstruir a confiança", acrescentou.
Suspeito de roubo
A polícia de Ferguson afirmou nesta sexta-feira (15) que Michael Brown era suspeito de ter roubado uma caixa de charutos de US$ 49 (R$ 110) antes de ser morto.
A morte provocou uma série de protestos violentos na cidade, onde 67% da população é negra e a maioria das autoridades, brancas. Dezenas de pessoas foram presas após confrontos com a polícia, depredações e saques a lojas e carros.
Segundo o chefe de polícia da cidade, Tom Jackson, o policial Darren Wilson foi atender a uma ocorrência de um roubo de charutos em uma loja de conveniência. O suspeito foi descrito como um homem negro usando uma camiseta branca.
Jackson mostrou imagens do circuito interno da loja em que aparecem dois homens jovens, um deles de camisa branca, agredindo o proprietário e levando a caixa de charutos.
A descrição dos suspeitos bate com a de Michael Brown e de seu amigo Dorian Johnson, motivo pelo qual a abordagem foi feita. Os dois foram interceptados às 12h01 (10h01 em Brasília).
Três minutos depois, outro agente chegou ao local e já encontrou Brown morto. A polícia não disse se a caixa de charutos, produto do roubo, foi apreendida ou devolvida a seu dono.
Na mesma entrevista, o chefe de polícia revelou o nome de Wilson, que trabalha como policial há seis anos e não possui registro de má conduta.
Revolta
A revelação não diminuiu a revolta de familiares da vítima e moradores da cidade. O tio de Brown, Bernard Ewing, criticou os policiais pela versão, já que o amigo do jovem negro disse que o policial não usou as luzes e as sirenes de alerta policial.
Mario Anzuoni/Reuters |
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"Mãos ao alto! Não atire" - o policial acusado teria atirado na vítima apesar dela estar com as mãos ao alto; a cidade vive protestos há dias |
"Isso [o roubo] ainda não é uma justificativa para atirar quando ele já estava rendido. Você também não precisa atirar na cara dele", disse.
Os moradores de Ferguson também consideram que a morte foi abuso de poder. "Foi certo ter liberado o nome do agente, mas para eles dizerem que foi um roubo armado me faz pensar que isso possa ter sido armado", disse Milton Jackson, 37 anos.
"É assim que a polícia faz. Sempre difamam o nome da vítima. Quanto mais eu ouço, menos eu confio no que a polícia está dizendo", afirmou Arthur Austin, 39 anos.
Outros casos
Casos recentes de homicídios de negros que estavam desarmados provocaram protestos em todo o país e desafiaram a ideia de que os EUA viveriam um momento "pós-racial" com a chegada do presidente Barack Obama à Casa Branca.
O adolescente Trayvon Martin foi morto na Flórida quando caminhava para casa por um vizinho, George Zimmerman, que achou o comportamento de Martin "suspeito". Zimmerman foi absolvido.
No mês passado, o ambulante Eric Garner, 43 anos, foi morto aos gritos de "não posso respirar", quando policiais o jogaram ao chão, após uma chave de braço. Ele era asmático. Um vizinho gravou o episódio em seu celular e o vídeo viralizou e foi exibido pelas TVs americanas

