Com o baixo desempenho da economia e a inflação persistente, as MPEs (micro e pequenas empresas) paulistas tiveram, em 2014, o pior primeiro semestre desde 2009, quando ainda sentiam os efeitos da crise econômica global.
O faturamento das empresas aumentou 0,8% nos primeiros seis meses deste ano na comparação com o mesmo período de 2013 (já descontada a inflação), segundo o Sebrae-SP. O resultado representa uma forte desaceleração das empresas. No primeiro semestre do ano passado, o crescimento havia sido de 3,6% em relação a 2012.
A receita das MPEs foi de R$ 285,4 bilhões no primeiro semestre, valor R$ 2,4 bilhões acima que no mesmo período do ano passado. Em junho, a receita foi de R$ 45 bilhões, 1,9% inferior ao mesmo mês de 2013.
Para a economista e consultora do Sebrae-SP Letícia Aguiar, o desempenho das empresas é reflexo da economia fraca e dos menores aumentos reais de salários. Apesar de ter algum impacto sobre o custo das MPEs, que são também empregadores, Aguiar afirma que os salários têm peso sobre o consumo.
O setor de comércio sofreu com uma queda de 1,9% no faturamento, na comparação entre os primeiros semestres deste ano e de 2013. Na indústria, a queda foi de 2,9% na mesma base de comparação. Serviços foi o único setor com variação positiva, de 5,5%. No ano passado, todos os três setores registraram alta no faturamento.
Tanto a indústria quanto o comércio sofreram com o menor número de dias úteis durante a Copa do Mundo. Para Aguiar, o evento que tomou parte dos meses de junho e julho parece ter tido um efeito ambíguo nos três setores das PMEs, já que aumentou a demanda por transporte, alimentação e alojamento, mas, ao colocar tudo na balança, é possível perceber o prejuízo causado à indústria e ao comércio.