O sistema de saúde resta abandonado na grande vala da imoralidade! Vejamos o plano de vacinação contra a gripe H1N1: O direito de preferência agasalha idosos, crianças de seis meses a cinco anos, mulheres gestantes e puérperas, funcionários da saúde e prisioneiros! Qual o critério utilizado para o direito de preferência oferecido aos prisioneiros? O que justifica a discriminação contra crianças, adolescentes e adultos que frequentam escolas permanecendo em ambiente fechado e mal ventilados, trabalhadores que saem de suas casas de madrugada, utilizam ônibus lotado, metrô abarrotado de gente, que segundo a ciência, torna o ambiente propício para a disseminação de vírus? Preservar a saúde da população deveria ser ponto de honra de qualquer governo. Se todos são iguais perante a lei e se discriminar é crime, aonde está escrito que prisioneiros devem levar vantagem sobre as crianças? O que justifica deixar o cidadão trabalhador e jovens sem o direito à vacinação? Se imperativo for optar, justo proteger a sociedade laboriosa, a infância, a juventude, parcelas da população que injusta e vergonhosamente ficarão expostas às doenças para ceder a vez a adultos lesa pátria.
O sistema governamental vigente, sem nenhum escrúpulo, deixa claro que o crime compensa, pois, além do auxílio reclusão, até o direito à imunização demonstra enaltecer o crime ao proteger criminosos, o que significa que aos olhos do poder, mais valioso é preservar a vida da população carcerária.
Ademais, a grande maioria dos cidadãos brasileiros que lutam arduamente para sobreviver, se alimentam mal, não usufruem de assistência médica, sequer hospitais, tampouco fazem jus ao atendimento de assistentes sociais. Porém, o mesmo não acontece com os prisioneiros, que recebem refeições diárias, balanceadas através de cardápios organizados por nutricionistas, tomam banho de sol, usufruem de pronto-atendimento médico gratuito, tudo pago pelo povo, este mesmo povo que não tem o direito sequer de ser vacinado! O presidiário quando precisa se locomover tem viaturas à disposição e proteção de escolta militar! Enquanto a população não tem segurança, tampouco condução digna para usufruir do direito de ir e vir! Se discriminar é crime, quem responde pelo direito de preferência quanto à prevenção da gripe H1N1 em detrimento de crianças e adultos? Enquanto a Justiça repousa e os direitos humanos perambulam pelos corredores dos presídios, a anarquia e a negligência rodopiam no imenso átrio da falsa cidadania!
A autora é advogada, pedagoga, psicopedagoga e autora dos livros: A Velha Adormecida e Anjinho de Procissão