O bicampeonato não veio, mas a estilista bauruense Drika Valério e sua modelo Elaine Brito Santos levaram à euforia o público e profissionais envolvidos na 6ª edição do Concurso de Moda Inclusiva, realizada na última sexta-feira (15). Ousadia e sensualidade foram construídas com a inclusão.
O evento é promovido pela Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo.
A estilista, que foi campeã da 4ª edição do Concurso, realizada em 2012, contou à reportagem do JCNet que desta vez sua equipe não levou nenhum prêmio, embora tivesse o look mais aplaudido e o momento mais marcante da noite.
Divulgação |
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Campeã em 2012, estilista bauruense, Drika Valério, arrancou aplausos na 6ª edição do Concurso de Moda Inclusiva, em São Paulo |
O look era um vestido rosa, elaborado com tecido Eco-D, confeccionado com garrafa pet reciclado e com bastante elasticidade.
A peça de vestuário apresentada tem uma abertura frontal total com zíper destacável acrescido de uma argola na prega, o que facilita e otimiza o tempo de pessoas com mobilidade reduzida, como o caso da modelo Elaine Brito Santos, que levam em torno de duas horas por dia para se vestir.
A consequência desta demora é este público ficar mais tempo em casa e perder a autoestima. “O que eu quero é trabalhar com a autonomia das pessoas com deficiência”, alega Valério.
Para se vestir ou despir com praticidade, segundo a estilista, basta apenas encaixar o dedo na argola e deslizar com facilidade o zíper
O vestido ainda não tem muitas costuras, para não incomodar quem fica muito tempo sentado - no caso de cadeirantes - e tem um encaixe na palma das mãos, onde há uma abertura para a passagem do dedão, prendendo a roupa ao braço, com um reforço de tecido na palma da mão, protegendo-as de quem usa muletas e cadeira de rodas.
Surpresa
Na hora do desfile, uma surpresa: ninguém esperava que, ao demonstrar a versatilidade da peça, a modelo com deficiência ficaria com a lingerie à mostra. “Foi um convite a todos pensarem sobre a sexualidade da pessoa com deficiência, numa atitude ousada e provocativa aos espectadores”, afirma Valério.
Apesar de ser o look mais aplaudido, foi vítima de preconceito, segundo a estilista bauruense. “Infelizmente, lidamos com o preconceito diretamente de pessoas envolvidas com pessoas com deficiência, o que gerou polêmica logo após o desfile e estou recebendo até agora relatos do quão chato foi enfrentar este preconceito”, lamenta.
“Existe muita resistência ao diferente e, quando há esta exposição, algumas pessoas acabam por fazer comentários maldosos, que magoam pessoas com deficiência. Quem faz este tipo de comentário se esquece que, apesar da deficiência, suas vítimas são pessoas iguais a todos nós”, conclui.
Apesar de todas as dificuldades e do preconceito enfrentados nessa área de inclusão, a estilista mantém o projeto acima de tudo. “Isso serve como trampolim, porque não trabalhamos com roupas e sim com sonhos. O que mais gostamos de fazer é surpreender e arrepiar pessoas com nosso trabalho”, pontua Valério, que já deve trabalhar em outros modelos para os próximos concursos.