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Bauru prevê "zona azul" para motos

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 4 min

Não são apenas os motoristas de carros que sofrem com o trânsito caótico de Bauru. Mesmo com a agilidade que elas possuem, encontrar uma vaga para estacionar a moto na área central virou um desafio. Além de ter paciência, o condutor precisa contar com a sorte. A questão levou os órgãos públicos a buscarem alternativas e o munícipio deve instalar estacionamentos rotativos eletrônicos para motocicletas. O controle será mantido com o equipamentos digitais.

“Estou elaborando o projeto de lei municipal para apresentar ao prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB). O objetivo é que todos que utilizam o Centro da cidade com motos tenham a oportunidade de estacionar com mais tranquilidade”, explicou o gerente de infrações de trânsito da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), Gustavo Cardoso.

Ele estuda a proposta há cerca de um ano e constatou que apenas três cidades no Brasil têm o projeto em atividade, justamente pelo fato da dificuldade de controle da rotatividade. “Vamos utilizar smartphone ou tablet com impressora térmica”, acrescenta.

Hoje, a área de zona azul (que vai da rua Sete de Setembro até a Presidente Kennedy, pegando parte da Antônio Alves) oferece 591 vagas sem custos para motos. A ideia, segundo Cardoso, é readaptar esses espaços e montar bolsões com até 50 vagas. Assim, seria cerca de dez bolsões.

“Ficará um funcionário em cada bolsão. O orientador anota a placa do motociclista e o número da vaga. Um ticket é imprimido e entregue ao condutor. O próprio programa no equipamento eletrônico avisa quando o tempo combinado com o motociclista acaba”, explicou.

Valor

Em princípio, o valor pensado será metade do cobrado aos carros (R$ 1,50). “Pensamos em fazer valores fracionados: R$ 0,75 para meia hora e assim sucessivamente. Tudo isso será estudado ainda”, adianta Cardoso.

“Pretendemos fazer um único bolsão para teste, cujo serviço não será cobrado no início. Depois, a gente adapta os outros e, então, a medida começa a vigorar. Faremos o Centro primeiro e, por fim,  a zona sul da cidade”, aponta.

Segundo Cardoso, Bauru deve ser a primeira cidade do Estado a ter estacionamento rotativo para motos. “Muita gente cobra uma solução para a falta de vagas. Tenho 20 processos feitos por munícipes solicitando o rotativo para motocicletas”, frisou.

Favorável

O prefeito Rodrigo Agostinho ainda não teve acesso ao projeto, mas adiantou ao JC que é a favor da iniciativa. “Eu já havia solicitado à Emdurb a possibilidade de ampliar as vagas para motos no Centro. Vou me inteirar do projeto, mas acho que pode dar certo”.

“Realmente faltam vagas para motos. A frota aumentou muito. É uma questão a ser discutida e eu confio muito na equipe da Emdurb. Desde que tudo seja feito”, conclui Agostinho.


‘Pura sorte’

Moradora do Terra Branca, Luciana Miedes comemorou ontem ao conseguir a única vaga disponível entre as 11 que existem entre as ruas Agenor Meira com a Primeiro de Agosto. “Pura sorte parar perto da loja que preciso ir. Venho sempre de moto aqui no Centro e é muito difícil conseguir vaga”, criticou.

Contudo, ao contrário dela, há os “espertinhos”. Existem muitos que acabam parando as motos em locais reservados para carros, dentro da zona azul. A reportagem flagrou o fato em, ao menos, três pontos: no quarteirão 8 da rua Cussy Júnior havia uma biz vermelha, e nas quadras 6 da Treze de Maio e 12 da Rio Branco, motos entre carros.


3 por dia

O aumento diário na frota de veículos em Bauru explica os congestionamentos e a falta de vagas para estacionar. De acordo com dados do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), a frota total hoje na cidade é de 251.672.

Entre motos e motonetas, em junho, o número chegou a 53.094 – 98 a mais em relação ao mês de maio. A média, ainda segundo o órgão, é de 100 novas motos no trânsito de Bauru por mês, três a cada dia.

A população já sente o reflexo da estatística. A balconista Jennifer Francielli de Souza trabalha em uma lanchonete no cruzamento da avenida Rodrigues Alves com a rua Gustavo Maciel. Ao lado (na Gustavo), ela deixa sua moto estacionada o dia todo, mas nem sempre consegue uma vaga tão perto.

“Na volta do meu almoço, já tenho que parar bem mais longe do trabalho”. Jennifer sabe que, com o estacionamento rotativo, terá que arrumar outras alternativas para estacionar sua moto, mas é a favor da medida. “Vai diminuir o risco de furtos”, observa.


Os mototaxistas temem perder sua ‘área de clientela’

Para ficar mais próximo da clientela, mototaxistas deixam frequentemente seus pontos e param suas motos na região central. Com o estacionamento rotativo, isso acabaria. Há um ano trabalhando próximo à Batista, Genivaldo Freire da Silva reclama também dos pontos oferecidos pela Emdurb. 

“Meu ponto é na quadra 5 da Rio Branco. Lá não vai ninguém. Preciso subir até aqui (cruzamento da Rio Branco com a Rodrigues) para conseguir clientela. Se tiver mesmo estacionamento rotativo, vai complicar porque eu teria que desembolsar muito dinheiro”.

Gustavo Cardoso, da Emdurb, aponta vantagens para a categoria. “Os mototaxistas clandestinos terão de deixar a área ou se regularizar. Isso é um ponto positivo”, observa.

Na Gustavo Maciel, entre a Rodrigues e o Calçadão, o mototaxista Paulo César Leme da Silva alerta para uma redução na área de motos no trecho em questão. “Reduziram cerca de um metro do espaço que tínhamos. As marcas separando as vagas ainda ficaram no chão”.

 

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