O nível de emprego em Bauru voltou a crescer neste ano, após um 2013 de resultados ruins. A geração de novas vagas de trabalho formal, no entanto, ainda está bem abaixo dos saldos oficialmente registrados entre 2010 e 2012.
Os números, que integram o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), foram divulgados ontem pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Segundo economistas, o forte setor de serviços em Bauru, aliado ao fato de o parque industrial não estar concentrado em um único segmento produtivo, contribuíram para a recuperação, ainda que o cenário continue sendo de desconfiança.
De acordo com os dados do Caged, nos primeiros sete meses de 2014, foram criados 1.963 novos postos de trabalho com carteira assinada na cidade, levando em conta a diferença entre contratações e demissões. No mesmo período do ano passado, o volume foi seis vezes menor - 329.
Em 2012, 2011 e 2010, contudo, o saldo chegou a 4.132, 4.417 e 6.164 vagas, respectivamente. “Ou seja, não dá para dizer que, neste ano, os resultados são excelentes, já que criamos menos da metade das vagas geradas no momento em que a economia estava aquecida”, salienta o economista Mauro Gallo.
Ele explica que os anos com a economia em franco crescimento, estimulada pela facilidade de acesso ao crédito e pela concessão de subsídios para a aquisição de veículos e imóveis, levaram as empresas a ficar com estoque alto de mão de obra.
Quando o nível de consumo chegou ao limite, a desaceleração veio como consequência do endividamento da população.
“Por isso, o ano de 2013 foi de ajuste, ou seja, de demissões em alguns setores”, completa. No ano passado, os que extinguiram vagas entre janeiro e julho foram a indústria e a agropecuária. Já o ramo de prestação de serviços obteve um resultado tímido, de 28 postos criados.
Mas, em 2014, foi ele o grande responsável pela recuperação do nível de contratações – sozinho, respondeu pela geração de 2.034 novas vagas entre janeiro e julho.
Sustentação
“Além do setor de serviços, que permanece como carro-chefe da economia de Bauru, o parque industrial diversificado também contribui para que a produção e, consequentemente, os empregos consigam se sustentar dentro de uma média”, avalia o economista Carlos Roberto Sette.
Ele destaca, ainda, o fato de Bauru continuar tendo importância como polo regional comercial, com dois grandes shoppings e redes supermercadistas. “Principalmente nos finais de semana, o número de pessoas de outras cidades que vem para consumir em Bauru é considerável”, observa.
O saldo de empregos formais do comércio e da indústria, no entanto, foram negativos entre janeiro e julho deste ano.
O primeiro extinguiu 181 vagas no período e o segundo, 418 postos de trabalho. Já o setor da construção civil criou 288 novas vagas e a agropecuária, 230.
Economistas não veem este ano com otimismo
Apesar da melhora no nível de emprego registrada neste ano, os economistas consultados pela reportagem não avaliam que os próximos meses não deverão consolidar uma tendência de recuperação.
Segundo Carlos Sette, os resultados entre agosto e novembro deverão ser piores do que os registrados até o momento, com retomada pontual de contratações apenas em dezembro, por conta da chegada das festas de fim de ano. “Existe uma incerteza sobre a política econômica do atual governo e, em seguida, teremos as eleições, que interferem muito nas decisões de investimento. Até que este cenário fique mais claro, os empresários ficarão mais cautelosos”, detalha.
O economista Mauro Gallo acrescenta que, com o ritmo da economia ainda em desaceleração e o baixo nível de confiança do empresariado, o volume de contratações não deverá ser impulsionado nem mesmo em 2015. “Poderemos, inclusive, ter resultados piores do que os de 2014, ainda que melhores do que 2013”, finaliza.
‘Melhores’
Embora não sejam motivo de alívio, os resultados de Bauru foram melhores do que a média brasileira. O País registrou o menor saldo de criação de vagas com carteira assinada para julho desde 1999. O total de empregos formais gerados no mês foi de 11,8 mil, volume 71,5% inferior ao de julho do ano passado (41,5 mil vagas). De janeiro a julho, foram 632,2 mil novos postos no País, 30,3% menos que o mesmo período de 2013.
Já Bauru registrou saldo de 1.963 novas vagas nos primeiros sete meses de 2014, seis vezes mais do que as 394 entre janeiro e julho do ano passado. Considerando apenas julho, foram 394 postos gerados, o dobro das 178 vagas criadas no mesmo mês de 2013.