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Campanha defende "Centrinho USP"

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 5 min

Um abaixo-assinado contrário ao desligamento do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC), o Centrinho, da Universidade de São Paulo (USP) em Bauru, circula pela web. Até o fechamento desta edição, mais de 600 pessoas já haviam “assinado” o documento eletrônico.

A ação, que segundo o Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp) teria sido encabeçada por uma funcionária do setor de enfermagem do próprio hospital, tem como direcionamento o governador Geraldo Alckimin e o prefeito de Bauru Rodrigo Agostinho. Em conversa com o JC ontem, Rodrigo disse ser favorável ao movimento (leia mais abaixo).

A ideia é que a petição auxilie os grevistas na movimentação política contra a proposta que prevê a transferência de gestão e toda a estrutura do hospital para a Secretaria de Saúde do Estado.

Conteúdo

No documento eletrônico, disponível no site  www.peticaopublica.com.br, a autora pede assinatura a todos os funcionários, pacientes e a comunidade em geral para que o Centrinho, intitulado como “pérola do interior paulista”, não seja desligado da USP.

No texto, ela aponta que a transferência “pode vir causar prejuízos e acabar com todo um trabalho humanizado e construído com muito empenho e Amor!”.

Em outro trecho do documento consta que: “Um hospital conhecido pelo tratamento conceituado de fissuras labiopalatais e sequência de Pierre Robin, que recebe pacientes, estudantes e profissionais de vários estados de nosso País e de outros países; reconhecido por seus trabalhos científicos, pesquisas e tratamentos de excelência, por não pode ser sucateado e nem acabar.”

Repercute

Ao JC, o Sintusp, por meio de Claudia Carrer, funcionária do hospital e membro do comando de greve na USP, elogiou a ação.

“Fiquei sabendo hoje (ontem) dessa petição. Esperamos que ela ganhe cada vez mais força. Iremos apresentá-la na próxima audiência do TRT (Tribunal Regional do Trabalho) em São Paulo”, comenta Claudia.

Sobre a repercussão da petição, o Centrinho não se manifestou. Em contato com o JC, a assessoria de comunicação do Centrinho informou  que não conseguiu contatar a superintendente do hospital, que teria passado a tarde toda em uma reunião em São Paulo.

Ao saber, pelo JC, da circulação do pedido, o prefeito Rodrigo Agostinho se mostrou favorável ao movimento político. “Eu aceito discutir. O Centrinho é uma referência nacional e é nosso centro de pesquisa. Se fosse apenas um centro de atendimento seria diferente”, comenta o prefeito. “Defendo que a USP tenha uma ação diferenciada para conservar o Centrinho de Bauru. O movimento pode contar com meu apoio”, reforça Rodrigo, dizendo que tentaria marcar uma reunião com o reitor da USP, Marco Antônio Zago, nos próximos dias.

Expectativa

Um reunião marcada do Conselho Universitário da USP, marcada para o dia 26 de agosto em São Paulo, deverá discutir e deliberar a implementação desta medida.

“Estão desmontando a USP para poder privatizar. Conhecendo o Conselho, acredito que iremos perder o Centrinho, infelizmente”, antecipa Carrer.

Neli Wada, funcionária do hospital e diretora do Sintusp está entre os três representantes de funcionários eleitos para participar da reunião decisiva.

A afirmação da sindicalista, contudo foi rebatida pelo vice-diretor da FOB, em exercício ontem, Carlos Ferreira dos Santos.

“Os conselheiros são livres para decidir e votar. O resultado dependerá da força de argumentação de cada um dos lados, não podemos dizer nada antecipadamente. E, caso a proposta não seja aprovada, outros planos serão pensados”, fecha questão Santos.


‘Reequilíbrio’

Abrir mão do Centrinho, conforme o JC noticiou em edições anteriores, está entre as medidas propostas pelo reitor Marco Antonio Zago, em busca do reequilíbrio orçamentário da USP, já que a o valor da folha de pagamento de servidores e docentes equivale a 106% da receita.

Desde o ano passado, o gasto da USP com folha de pagamento é maior que todo o orçamento da universidade, que deve receber R$ 5 bilhões do Estado em 2014. Assim, a instituição tem usado reservas para sustentar as atividades.

Para tentar atenuar a crise, a USP estuda ainda implementar um Programa de Demissão Voluntária (PDV) de funcionários e incentivo para que professores reduzam as jornadas de trabalho.

A ideia é que a medida resulte em demissões 3.000 funcionários. No total, a instituição possui 17.450 técnicos administrativos e 6.000 docentes.

Nesta semana, o reitor da USP anunciou uma verba inicial de R$ 400 milhões para tal fim. O Sintusp alega que a verba em questão seria de R$ 600 milhões.

Outra medida estudada seria a de incentivar que professores diminuam as jornadas de trabalho.


Sintusp: ‘movimento em Bauru ganha força’

O Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp) afirma que o movimento de grevistas do campus de Bauru, que havia perdido força na semana passada após o cumprimento de uma liminar obtida pela diretoria da FOB na Justiça, deve voltar a ganhar força hoje.

Segundo previsão do sindicato, 80 funcionários deverão paralisar novamente as atividades nas três unidades do campus, que abrange  Centrinho, a FOB e a prefeitura da universidade.

Ontem, o Sintusp afirma que o número de grevistas já havia subido para 30.

Na FOB, contudo, conforme o JC apurou junto ao vice-diretor em exercício, haviam apenas quatro funcionários em greve ontem.

O retorno do movimento, de acordo com o Sintusp, deve ocorrer em virtude de uma audiência realizada no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) em São Paulo, na última quarta-feira, que teria terminado sem acordo, mas com ressalvas favoráveis ao movimento.

“A USP havia pedido a ilegalidade da greve, mas as alegações não procediam. A desembargadora foi favorável ao movimento e, inclusive, falou sobre a ilegalidade no corte de ponto (os grevistas estão há dois meses sem salário). Ela terminou a audiência pedindo para que a USP apresente uma proposta de reajuste na reunião que acontecerá em 27 de agosto”, afirma Claudia Carrer.

Greve

Trabalhadores das três universidades públicas estaduais USP, Unesp e Unicamp estão em greve desde 27 de maio, em protesto ao adiamento até setembro, pela reitoria, das discussões de reajuste salarial à categoria. O aumento pedido por eles é de 9,78% (valor referente a inflação mais 3%). Os servidores tiveram, em 2013, reajuste de 5,39%.

 

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