Política

Candidato a vice do PDT prega desencarceramento

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

Advogado criminal e militante histórico do PDT de São Paulo, José Roberto Batochio ocupa o posto de vice na chapa de sucessão ao governo do Estado encabeçada pelo empresário Paulo Skaf (PMDB). Elencando a segurança pública como um dos principais problemas de São Paulo, ele defende o desencarceramento, que consiste em privar de liberdade, nas penitenciárias, apenas autores de crimes graves e/ou vinculados ao crime organizado.

Em sua avaliação, a atual política da “tolerância zero”, importada pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) dos Estados Unidos, levará o poder público à falência.

“Não para de crescer o número de presos. Para atender a toda a demanda, São Paulo constrói muitos presídios, o que já sai muito caro porque as obras públicas custam quatro vezes mais do que as privadas. Depois, tem que contratar servidores para garantir o funcionamento desses locais por 24 horas. Sem contar a alimentação permanente, vestuário dos presos e insumos em geral. O custo por cada preso – são 175 mil no Estado – é de R$ 2.500,00 a R$ 3.000,00 per capita”, pontua Batochio.

O pedetista não vê sentido na condenação à pena de reclusão, por exemplo, do comerciante que, com dificuldades financeiras, deixa de recolher impostos, ou dos autores de furtos e roubos de pequena monta. “Nesses casos, precisam ser aplicadas penas alternativas. Citando o caso do comerciante, em vez de ir para a cadeia, tem que ter os bens confiscados para garantir o ressarcimento de quem foi prejudicado por ele, ser monitorado por uma tornozeleira por dois anos e ficar impedido de comercializar por oito. Isso custaria 200 dólares por mês ao Estado.

Já para os autores de crimes graves, Batochio diz defender o “rigor da lei”, com reclusão em penitenciárias de segurança máxima, vigiadas diuturnamente por pessoal  especializado, com o apoio de tecnologia de ponta, para impedir que a criminalidade seja exportada de dentro para fora das cadeias.

“É preciso racionalizar. O presídio é para quem oferece riscos reais à sociedade. E cabe ao governador de São Paulo chamar o Poder Judiciário e explicar que não dá mais; que não haverá como sustentar a prisão de tanta gente. Foi isso o que Nova York fez depois de ter adotado a cultura da tolerância zera, recebida com tanto entusiasmo pela opinião pública brasileira”, critica o candidato a vice de Skaf, reconhecendo que suas ideias são “antieleitorais”.

Batochio também atribui ao atual governo o desmonte da Polícia Civil que não dispõe de instrumentos sequer para identificar autores de furtos e roubos por meio de impressões digitais.  “Os nosso delegados são recrutados, entre bacharéis de Direito, mediante concurso, para uma carreira que paga, inicialmente, cerca de R$ 3 mil. Isso é um escândalos se pensarmos que um ascensorista do Senado consegue ganhar R$ 15 mil”, avalia. José Roberto Batochio, em entrevista ao Jornal da Cidade, no Café com Política, pregou a escola em tempo integral no ensino fundamental como política de Estado e não de um governo. “O Skaf já mostrou que consegue fazer. Em Bauru, temos uma escola do Sesi para exemplificar”.

O candidato a vice conta, com exclusividade, que o PDT tem a proposta de criação de um instituto público-privado com a meta de desenvolver pesquisas nas mais diversas áreas de conhecimento.

“O Brasil não tem um Prêmio Nobel. Isso é inacreditável. Enquanto isso, vemos mentes brilhantes sendo dispensadas das universidades por conta da aposentadoria compulsiva aos 70 anos. Vamos aproveitá-las”.

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