Tribuna do Leitor

Conflito em Gaza


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O conflito em Gaza entre o exército de Israel e o grupo terroristas Hamas deve ser analisado de uma forma racional, desprovida de emoção e sem "romantismos ideológicos". Este último confronto começou depois que três jovens israelenses foram mortos por militantes palestinos (nessa semana, o Hamas assumiu oficialmente o assassinato) e na retaliação um jovem palestino foi assassinado por colonos judeus ortodoxos de extrema direita. A partir daí, o Hamas começou a lançar mísseis em Israel, que revidou de uma forma extrema, materializando mais de duas mil mortes no lado árabe e menos de 70 em suas fileiras. Não podemos esquecer de citar que os colonos que mataram o garoto palestino já estão presos em Israel e aguardam julgamento. Já os militantes do Hamas que mataram os  três garotos israelenses estão em plena liberdade e tidos como heróis. É bom conhecer a verdade porque ela liberta!

O grupo terrorista Hamas, ao invés de enfrentar o exército de Israel, lança seus mísseis de baterias ao lado de escolas e hospitais porque sabe muito bem que na retaliação judaica as bombas caíram nestes lugares. E nada mais perfeito para ganhar a opinião pública internacional do que crianças e mulheres chorando ou mortas em escolas e hospitais. E como já foi relatado pela imprensa internacional, moradores da Faixa de Gaza são avisados antes dos bombardeios, mas são impedidos de saírem de suas residências pelos militantes e os que insistem são ameaçados e correm risco de morte. Aliás, o mesmo Hamas que evita enfrentar no combate os soldados israelenses são implacáveis contra seu próprio povo e nesta semana condenaram à morte 18 moradores da Faixa de Gaza porque desconfiaram (ou seja, sem provas ou certeza) que estavam colaborando com Israel.

De outro lado tem a extrema direita e uma parte dos judeus ortodoxos que invadem cada vez mais território palestino e, ao invés da conciliação, semeiam o ódio e a guerra. Portanto, apesar da desigualdade no número de vítimas em detrimento dos palestinos, neste conflito não existe o bem e o mal. Existe uma imensa parcela da sociedade israelense que pesquisas comprovam que concordam com a criação do Estado Palestino. E também há uma imensa parcela da sociedade palestina que é contra a aniquilação do Estado de Israel que consta no Estatuto oficializado do Hamas.

Temos que criticar  os excessos dos ataques israelenses, embora os terroristas se escondam debaixo das saias das mulheres e usam hospitais e crianças como escudo. Mas se calar perante o autoritarismo do Hamas que prega a aniquilação do Estado de Israel  e governa exercendo a política do medo contra seu próprio povo é miopia acompanhada de cegueira mental. Que a paz deixe de ser utópica no Oriente Médio e que seja criado o Estado Palestino para que conviva normalmente com o Estado de Israel, mesmo porque é isto que a maioria desses dois povos mais almeja.

Pedro Valentim

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