Todos os caminhões do comboio com ajuda humanitária para os territórios controlados pelos separatistas pró-Rússia no leste da Ucrânia retornaram para a Rússia ontem, anunciou a Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE).
“O retorno do comboio está completo”, declarou por telefone Paul Picard, chefe da missão de observação da OSCE no posto de fronteira conhecido como Donetsk. O comboio havia atravessado a fronteira em direção à Ucrânia sem autorização de Kiev, na última sexta-feira.
Um porta-voz militar ucraniano afirmou que até as 13h de ontem (horário local) foi confirmada a saída de 184 veículos russos do território da Ucrânia.
Ele disse ainda que a saída ocorreu pelo mesmo posto de fronteira pelo qual o comboio havia entrado, perto ao povoado de Izvaryne. Nenhuma revista ou inspeção foi realizada por autoridades.
Na sexta, o presidente ucraniano, Petro Poroshenko, havia dito que a entrada do comboio representou uma violação do direito internacional e apelou a Moscou para colocar a situação de volta ao marco legal internacional. Paul Ricard, observador da OSCE, disse que apenas 34 veículos passaram por inspeção entre quinta-feira e a madrugada de sexta-feira, mas que a carga dos demais não foi inspecionada.
Os caminhões, carregados com água, geradores e sacos de dormir enviados por Moscou, são destinados aos civis na cidade de Lugansk, no leste de Ucrânia, onde ocorrem combates entre separatistas pró-russos e forças do governo ucraniano. A cidade está cercada pelo Exército e, há mais de três semanas, falta água, luz e a rede de telefonia está inoperante.
Minutos antes da entrada dos caminhões, a chancelaria russa havia anunciado que o comboio com ajuda humanitária russa para a população do leste da Ucrânia entraria no país mesmo sem autorização do governo de Kiev.
Os caminhões ficaram estacionados na fronteira por mais de uma semana, levando o Ministério das Relações Exteriores da Rússia a criticar Kiev por dificultar a entrega.
“Todos os pretextos destinados a retardar a entrega de ajuda às zonas em situação de catástrofe humanitária se esgotaram. A Rússia decidiu agir. Nosso comboio com ajuda humanitária está seguindo para Lugansk”, afirma um comunicado do ministério das Relações Exteriores.
Pressão
Em sua primeira visita à Ucrânia desde o início da crise com os separatistas, a chanceler alemã, Angela Merkel, pressionou a Rússia a discutir um plano de paz com Kiev e não descartou novas sanções a Moscou.
“São necessários dois lados para ser bem-sucedido. Vocês não podem obter a paz sozinhos. Espero que as conversas com os russos atinjam esse objetivo”, disse a chanceler alemã, Angela Merkel.
Merkel anunciou ainda um empréstimo de 500 milhões de euros para que Kiev possa reconstruir o país após o conflito.