Regional

"Oásis" para religiosos fica em Arealva

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Uma casa para acolher religiosos que enfrentam alguma crise tanto na vida religiosa como pessoal está sendo construída em Arealva (41 quilômetros de Bauru). A ideia capitaneada pelo monsenhor Enedir Gonçalves Moreira está sendo levada em frente pelo padre Luiz Eduardo Monteiro Fontana, que atua como mestre de obras.

A Casa do Clero já está pronta e pelas previsões estará funcionando no próximo ano. “Tivemos a felicidade de ganhar cinco alqueires de terra de um casal: Nina e Paulo. Eles são falecidos. Dividimos em duas partes. Ficaram 2,5 alqueires para a casa do clero e outra metade, para o futuro santuário que pretendemos construir”, explica Fontana.

Segundo ele, a casa faz parte da primeira etapa do empreendimento. Ao lado será construída uma residência para uma comunidade religiosa que tenha o ‘carisma’ de cuidar de padres. “O chão está marcado para a construção de uma residência. Pretendemos colocar uma comunidade religiosa para residir aqui. Ela cuidará dos padres que se encontrem, por n motivos em situações onde eles precisam de uma restauração.”

Fontana explica que na igreja tem várias comunidades religiosas e cada uma delas com seus carismas próprios. “Tem a Jesus sacerdote que tem por carisma, há muitos anos, cuidar de padres que estão em situações delicadas.”

Para explicar melhor, Fontana usa o casamento. “O casamento não passa por crises?  As vezes se não tem um conselheiro, psicólogo ou religioso, ele acaba. Muitas vezes as pessoas não salvam o próprio casamento porque não procuram ajuda.  A crise tanto na vida conjugal como em qualquer outra circunstância existe. Entre os religiosos, sacerdotes também.”

A ideia é que no futuro breve o local se torne um retiro, mas acompanhado por profissionais adequados. “O melhor seria que um religioso cuidasse desse assunto. Temos a previsão de uma psicóloga alinhada com a igreja. A intenção é que aqui seja como um oásis no deserto. Onde o padre possa repensar sua vida religiosa.”

Casas semelhantes funcionam em Osasco e Barretos, ressalta o religioso. “Essa congregação Jesus sacerdotal é que toma conta dessas casas. Por isso queremos que eles estejam aqui também. Eles nos acompanhando desde o início das obras. Serviria a região e o Brasil como um todo”.


Dificuldade financeira

O padre aponta a questão financeira como sendo o maior obstáculo para que a Casa do Clero comece a funcionar. “O episcopado italiano mandou uma verba de R$ 200 mil com a qual conseguimos erguer o prédio. Através da congregação Jesus sacerdote, recebemos doações. Fazemos promoções e festas para arrecadar fundos.”

Fontana frisa que quando a casa começar a funcionar, os acolhidos vão pagar. “Eles vão pagar uma determinada quantia. Os doentes, o bispado arca com as despesas. Infelizmente não faltará ‘clientela’. Nas duas casas há lista de espera. Saúde é imprevisível. Crises acontecem durante o percurso.”


Padre tem depressão

Muitas pessoas assustam quando ouvem falar que um religioso está em depressão. Mas padre Fontana explica que não é preciso ser louco para fazer terapia. Todo mundo faz para se equilibrar e os padres precisam de um espaço apropriado para cuidar do religioso que antes de mais nada é um humano que passa por várias situações.

“Nós somos seres humanos. Amparamos as lágrimas de todo mundo, mas não podemos chorar para ninguém. O papa Francisco, homem simples, pediu que reze por ele, reiteradas vezes. Ele se declarou um pecador que ficou papa.”

Comentários

Comentários