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O grande vilão

Valderez de Mello
| Tempo de leitura: 2 min

O grande vilão que acampa e sufoca o país é o vergonhoso e crescente abandono da infância. Milhares de crianças são abandonadas diariamente nas escolas a espera do responsável que não chega na hora marcada; adolescentes perambulam pelas ruas sem orientação, sequer cuidados básicos para sobrevivência; crianças passam o dia por entre paredes frias, trancadas e sozinhas, a espera do retorno de alguém, tendo por companheiros o medo e a solidão! Ledo engano supor que apenas nas sub-moradias e lugares da periferia esse retrato está desenhado.

A grande verdade é que a infância, quando não nas creches e escolas, certamente restam abandonadas quer no pequeno e único cômodo, quer em mansões ou condomínios de luxo! Muitas mães, abdicam da maternidade, não abraçam a causa do zelo e cuidado para com o filho desde o nascimento, não criam o hábito da maternidade, ou seja, zelar, alimentar, cuidar, acarinhar e conviver. Consequentemente, os filhos se tornam estranhos no ninho quer nos finais de semana quer nas férias. Perturbam, tiram o sossego dos responsáveis que tudo fazem para que a criança se cale, não aborreça, não quebre a rotina, tampouco altere os planos para a curtição dos embalos noturnos. Não estamos falando de madrastas, que sempre levaram a fama de maldosas para com os enteados, estamos falando de mães biológicas!

A realidade é que nos deparamos com uma sociedade omissa, irresponsável, hipócrita e sem rumo certo quanto à educação infantil. Em consequência, o local oportuno se torna a rua, a casa do vizinho, as praças, fato que irremediavelmente abre os portais para que adultos ociosos que sobrevivem do tráfico de drogas e outras mazelas, acolham a infância. Os responsáveis, sempre delegam a responsabilidade a um terceiro pelo destino do filho: falta de vagas nas creches, obrigação não cumprida pela escola, falha da administração pública! Todos são responsáveis, menos a família!

Afinal, que responsabilidade cabe aos pais pelos filhos gerados? Qual é atualmente o papel da família? Quem são os genitores? Por onde anda o amor paterno e materno? Imperativo saber que ao ofertamos em sacrifício nossos filhos aos cuidados de um Estado incompetente, certamente nefastos serão os resultados. O grande culpado pelo abandono da infância é a falta de amor ao próximo que habita a mesma casa e suplica por colo, carinho e coração! Pai e mãe de fim de semana não basta para a formação de um ser humano feliz, seguro e competente. A violência entra em cena quando a responsabilidade se ausenta!

A autora é professora, pedagoga, psicopedagoga e advogada

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