Quioshi Goto |
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Lima Jr. pergunta o que o prefeito faz quando vai a Brasília |
A polêmica em torno do viaduto sobre a linha férrea da avenida Comendador da Silva Martha repercutiu na sessão da Câmara Municipal de ontem. Alguns vereadores não pouparam críticas à suposta omissão prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB), que chamou a obra de horrorosa, em entrevista ao Jornal da Cidade publicada no último domingo.
Líder da oposição, Lima Júnior (PSDB) foi o mais contundente ao questionar os motivos de o chefe do Executivo não ter acompanhado o projeto de concepção do viaduto, elaborado e custeado pela superintendência de São Paulo do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), vinculado ao Ministério dos Transportes do governo federal.
“O prefeito ficou bravo só agora, mas os recursos foram liberados há muito tempo. Quase toda semana ele vai a São Paulo ou Brasília. O que ele faz por lá? Não se interessou em dar uma olhadinha no que estavam planejado em um setor estratégico para a cidade”, questionou o tucano.
O viaduto será construído em terra armada, ou seja, dois grandes muros paralelos serão erguidos sobre a Comendador e o vão entre eles será aterrado, isolando o acesso direto da avenida José Vicente Aiello ao Jardim Terra Branca.
A única passagem possível servirá à ferrovia e outra, menor, somente para garantir o fluxo na região do Córrego Água da Ressaca.
Embora seja necessário para dar maior fluidez ao trânsito naquele trecho, o elevado se transformará em um grande obstáculo, principalmente para pedestres que precisam se deslocar de um lado para outro. Todo o fluxo será deslocado para uma rotatória a ser construída a mais de 100 metros de distância.
Ao JC, o prefeito alegou que pouco pôde acompanhar e opinar sobre o desenvolvimento do projeto, em razão de seu vínculo exclusivo à União. A Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Bauru (Assenag) também criticou o projeto.
Audiência
Fábio Manfrinato, do PR – partido que controla o Dnit – também entende ser tarde demais para reclamar e rebate as críticas ao projeto do viaduto.
“Trará melhorias. A gente tem que pensar, em primeiro lugar, na segurança. Quando essa obra estiver pronta, a população vai entender sua importância. Bauru cresceu. As pessoas precisam entender isso. Não dá mais para o pessoal reclamar porque vai ter que andar mais 100 metros até a rotatória nova”, criticou.
Para Raul Gonçalves Paula (PV), no entanto, o problema é um pouco maior. “Hoje, o fluxo se divide. Se tivermos só uma rotatória para absorver tudo, teremos um gargalo. Por que não temos uma alça saindo da avenida Vicente Aiello? Se não tiver dinheiro para fazer agora, que seja construído de uma forma em que possa haver esse complemento futuramente”.
Apesar de a obra já ter sido licitada, o vereador não acredita que o Dnit vetará o diálogo junto ao município e sugeriu convocar uma audiência pública para discutir o problema.
Necessidade
Na mesma linha, Telma Gobbi (PMDB) pontuou que a transposição é essencial por conta da projeção de que, daqui a três ou quatro anos, aumente de 1 milhão para 27 milhões de toneladas a quantidade de minério de ferra que sai de Corumbá (MS) e passa por Bauru até chegar ao Porto de Santos, no litoral de São Paulo.
“Mesmo se não for bonito, é importante. É claro que, se for possível dialogar para melhorar, o município deve fazer isso”, observou.
Líder do governo, Renato Purini (PMDB) admitiu temer que, fazendo exigências, Bauru perca o dinheiro liberado pelo governo federal para a obra. “A gente tem que tratar o assunto de forma republicada porque o município não tem recursos para construir esse viaduto. É preciso apurar também se a prefeitura teve culpa nessa história ou se, de fato, não teve acesso ao projeto”.
Quando?
A empresa Contersolo Construtora de Obras Ltda foi a vencedora da licitação para construir o viaduto. Ainda não há data definida para que a construção seja iniciada, algo que depende da contratação da supervisão da obra, que está em processo licitatório. O prazo previsto em contrato para conclusão dos dois elevados é de 18 meses após o início dos trabalhos.
Há ainda divergências entre o Dnit e a Prefeitura de Bauru quanto à responsabilidade pelas desapropriações necessárias para viabilizar a obra.
Além do viaduto da Comendador, a União vai construir outro elevado sobre trilhos na rua Waldemar Pereira da Silveira (Jd. Chapadão). Ambos estão orçados em R$ 11.443.384,67. A assessoria de imprensa do Dnit foi questionada, nessa segunda-feira, sobre as divergências acerca do projeto, mas não respondeu ao JC.