Um preso foi morto e 30 ficaram feridos durante rebeliões ocorridas em dois estabelecimentos prisionais de Minas Gerais entre a noite de anteontem e a madrugada de ontem. O primeiro motim aconteceu na cadeia da cidade de Campestre, a cerca de 400 km da Capital mineira, Belo Horizonte.
Segundo a Polícia Civil, que administra a unidade, a rebelião começou por volta das 21h30 de anteontem. Insatisfeitos com a decisão de que seriam transferidos para outras prisões em razão de uma ordem judicial que determina a interdição da cadeia, os detentos colocaram fogo em colchões e em outros materiais encontrados no interior de uma das celas.
Oito presos ficaram feridos e tiveram que ser levados a hospitais de Alfenas e de Poços de Caldas devido às queimaduras sofridas. Um deles, Sebastião Luís Germano, 42 anos, que cumpria pena no regime semiaberto, morreu.
Um inquérito policial vai ser instaurado para apurar as causas e responsabilidades criminais pelo incêndio. Conforme previsto, os 32 presos que permaneciam na cadeia foram transferidos para unidades prisionais de Alfenas e de Três Corações. Os sete internos hospitalizados após o motim também vão ser conduzidos a esses estabelecimentos, após terem alta médica.
A segunda rebelião começou por volta das 20h de segunda, no Centro de Remanejamento do Sistema Prisional de Juiz de Fora, e foi contida por agentes penitenciários por volta das 3h desta terça. Presos lançaram colchões em chamas nas galerias da unidade. Bombeiros e policiais militares foram acionados.
Termina rebelião no Paraná
Após 44 horas, terminou na madrugada de ontem a rebelião de presos na Penitenciária Estadual de Cascavel, no oeste do Paraná. A rebelião, iniciada na manhã de domingo, deixou cinco presos mortos - dois deles decapitados - e 25 feridos.
Os dois agentes feitos reféns foram libertados durante a madrugada após a transferência de 851 presos dos pouco mais de 1.000, já que a cadeia ficou destruída.
Os detentos tinham feito um acordo com o governo para encerrar o motim e entregar o último refém após o término das transferências.
A expectativa da Secretaria da Justiça do Paraná é realizar uma vistoria no presídio ainda na manhã nesta terça.
A motivação da rebelião ainda não está clara. Os presos reclamaram da violência de agentes e pediram melhorias na comida e na estrutura do local.
Os alvos dos motinados foram os presos condenados por crimes sexuais, chamados de “duques”. Havia cerca de 50 deles no presídio.
Advogados que acompanharam as negociações relataram à reportagem ter sentido um forte cheiro de carne queimada anteontem.