Política

"Para cumprir a lei tem que ser duro..."

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 5 min

Paulo Adriano Lopes Lucinda Telhada, mais conhecido como coronel Telhada, tem 30 anos de Polícia Militar (PM). Foi comandante da Ronda Ostensiva Tobias de Aguiar (Rota) - tropa de elite da PM paulista – entre 2009 e 2010 - e um dos fundadores do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate). Após sua aposentadoria, em 2011, ingressou na Câmara Municipal de São Paulo, recebendo quase 90 mil votos, se posicionando como o 5º vereador mais votado do PSDB em todo o país.

Neste ano, Telhada, que ganhou fama por seu posicionamento “duro” com relação ao crime, virou até mesmo personagem de histórias em quadrinhos, num projeto lançado em junho que busca enaltecer e fortalecer o trabalho da PM em todo o Estado.

Apaixonado declarado pela corporação, aos 52 anos o policial, agora candidato tucano à Assembleia Legislativa, carrega como bandeira a melhoria na segurança pública. E diz que já pensa até mesmo em assumir cargos majoritários no governo, futuramente.

“Tenho pretensões chegar ao Congresso e até um posto maior sim, mas, por enquanto, quero trabalhar forte e retomar o nome da PM e a sensação de segurança na população em São Paulo”, afirma Telhadia.

Em vista a Bauru, na semana passada, o coronel conheceu o quartel do Comado de Policiamento do Interior 4 (CPI-4), sendo recebido pelos comandantes e subcomandantes de todas as unidades de policia de Bauru.

Em entrevista no Café com Política, Telhada, que é filho de pai e avô também militares, conta como ingressou na política e se posiciona sobre alguns temas polêmicos, falando, inclusive, sobre projetos que pretende desenvolver como deputado estadual.

Jornal da Cidade - Quando sua carreira de policial se cruzou com a política?

Coronel Paulo Telhada -Em 2009 fui promovido a coronel e assumi a Rota e já tinha uma fama de homem mal. Em 2010, na campanha para deputado estadual, fui procurado por seis partidos políticos, mas falei não. Pra mim, política era coisa de bandido, coisa de crime organizado. Mas, em 2011, com a mudança na legislação fui obrigado a me aposentar. E os partidos começaram a correr atrás de mim novamente. Um dia, em uma reunião com tenentes e capitães da Rota, acabei me convencendo. Eles me disseram que se eu tinha a oportunidade de mudar alguma coisa, era para aproveitar, ou então, dali pra frente, eu não teria mais o direito de reclamar. E isso me fez pensar, e o PSDB me recebeu de braços abertos.

O curioso é que eu tinha uma equipe novata comigo e acabei gastando só R$ 180 mil na campanha, enquanto o resto gastou de R$ 600 mil a R$ 1,5 milhão. Detalhe, nenhum tostão saiu do meu bolso, tudo veio de amigos e apoiadores. Sou evangélico e acredito que minha entrada na política tenha sido desejo de Deus.

JC - Como surgiu a ideia de transformar ocorrências policiais em história em quadrinhos?

Coronel Telhada – Tenho dois livros publicados, um em 2002, que fala sobre a história da PM na 2º Guerra Mundial, e outro que conta a história da Rota. Adoro história militar. Tenho muitas ocorrências ao longo da carreira e decidi lançar esses quadrinhos experimentais, com duas dessas passagens. Foram 10 mil exemplares, distribuídos em bancas do Rio de Janeiro e em São Paulo. É importante frisar que não recebi um tostão de verba pública, igual disseram por aí. Tudo veio de patrocínio. E deu certo, até já esgotou nas bancas. Esse não é um material de propaganda política, é um material comprado pelas pessoas. Fiz isso para enaltecer o trabalho da PM. É uma forma das pessoas conhecerem o nosso trabalho.

JC - Qual sua proposta para a melhoria da segurança pública?

Coronel Telhada - Como deputado, pretendo trabalhar para a valorização dos policiais. A melhoria da segurança pública depende da valorização do policial. Um bom salário é essencial para que se tenha um policial trabalhando bem nas ruas. Você pode colocar dez mil homens na rua, se não tiver policiais trabalhando bem e contente, não adianta. Hoje, a PM não tem reconhecimento nenhum. O PSDB nunca valorizou a segurança pública. Hoje, minha missão é fazer com que o partido perceba o quão importante é a PM para o sistema Estado de São Paulo. Sou um homem de polícia e que conhece as necessidades da rua.

JC – Você credita que a imagem da Polícia Militar melhorou nos últimos anos?

Coronel Telhada – Quando o assunto é equipamento estamos muito bem. Mas a legislação precisa ser revista. O  ECA, o Código Penal e a própria Constituição em seu artigo 144, que fala da polícia. Existe projeto em Brasília prevendo a desmilitarização da polícia, isso é piada. O governo precisa valorizar o homem. Não adianta dar uma Hilux na mão de um policial que ganha R$ 2 mil. Se ele bater essa viatura, ele vai ficar o resto da vida endividado. Um PM quando mata um bandido não tem um advogado, tem que vender carro ou vender casa para pagar advogado. Precisamos de uma defensoria pública urgente.

JC – Você é conhecido como defensor de ações mais duras” contra bandidos...

Coronel Telhada - Não sou duro, sou defensor do cumprimento da Lei. E ela nos permite, inclusive, matar, se preciso for. O problema é que quando se fala em matar bandido todo mundo treme as pernas e ficamos politicamente corretos. Só que, neste ano, mais de 70 policiais já foram mortos. Quem faz a opção de morrer é o bandido, que sai de casa armado. Quando ele é abordado pela PM, tem a opção de morrer ou não. Basta se render e aceitar ser preso. Agora, se ele decidir usar a arma contra o policial, corre o risco de morrer como defesa do policial.

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