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É um erro forçar o consumo com endividamento

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 2 min

Na tentativa de permitir que a economia brasileira "respire", a equipe econômica do governo federal anunciou inúmeras medidas, muitas delas já analisadas à exaustão. Acontece que, apesar das inúmeras análises, é preciso reforçar que é um erro forçar o consumo interno com endividamento das famílias. Sejamos práticos. Os chefes de família em sua maioria estão apreensivos com o futuro das finanças do lar. As demandas atuais e futuras por gastos, notadamente em serviços, não param de crescer.

Muitos não querem reproduzir modelos de formação educacional na família que eram realidade há 20 anos. A ideia básica é bancar estudos e investir na formação dos filhos. Se no passado com 13 ou 14 anos o adolescente já ajudava no sustento da família e abriam mão do estudo em tempo integral, atualmente, notadamente a classe média, faz de tudo para que o estudo seja prioritário. Assim, gastos com educação e o próprio sustento da família aumentaram.

Os planos de saúde particulares são inevitáveis. A saúde pública não atende às necessidades das famílias, além disso, o uso intensivo de medicamentos aumentou e os gastos em farmácia seguiram esta tendência. O telefone celular é uma realidade e as famílias, que no passado tinham, quando muito, um telefone fixo, comprado em planos de expansão, hoje possuem um para cada membro da família. Mais gastos. Muitos avaliam, erroneamente a meu ver, que para ser aceitos na sociedade precisam frequentar institutos de beleza, usar roupas de grife, ter o celular mais recente, ter o carro com mais acessórios, enfim, se não ostentarem não terão espaço na sociedade. Gastos acima do razoável. Isso sem falar na TV a cabo, viagens, entre outros.

A apreensão com o gasto presente vai nesta linha. As famílias estão sendo obrigadas a segurar o consumo e priorizam o essencial. Pergunto: como induzir estes consumidores a utilizarem o crédito para novo endividamento? Foi isso que a equipe econômica pensou para dar o respiro na economia. Liberou recursos da reserva compulsória, mudou regras dos empréstimos consignados e tenta estimular a compra de veículo e imóveis. O que fica claro é que em ambiente de incertezas, com o processo eleitoral em curso, a confiança dos agentes econômicos é muito baixa e não há ação que vise elevar o endividamento que logre êxito. Talvez um ou outro setor possa ser beneficiado, mas não irá contagiar o mercado como um todo.

O que o mercado espera mesmo é a redefinição do modelo econômico brasileiro, com austeridade na política fiscal, notadamente a política de gastos, resgatando a confiança dos agentes econômicos, atacando os problemas dos gargalos em infraestrutura, garantindo que o crescimento se sustente ao longo do tempo. Neste modelo as famílias terão renda e não somente crédito para adquirir bens e serviços. Fora isso é gastar energia na direção errada e o que menos precisamos no momento é desperdiçar energia.

O autor é economista e articulista do JC

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