Após os incidentes de racismo envolvendo o goleiro Aranha, do Santos, a direção do Grêmio confirmou que cinco torcedores já foram identificados pelas câmeras da arena xingando o atleta rival. Dois deles são sócios do clube gaúcho e foram suspensos do quadro social. Os outros três identificados também serão impedidos de acompanhar os jogos na Arena Grêmio, em Porto Alegre. Os nomes não foram revelados, mas os dirigentes tricolores estão tomando todas as medidas para que o clube não seja punido.
As ofensas racistas dos torcedores do Grêmio ao goleiro Aranha, do Santos, fizeram com que ontem o jogo de volta entre as duas equipes, marcado para a próxima quarta-feira, na Vila Belmiro, pelas oitavas de final da Copa do Brasil, fosse adiado. Segundo Paulo Schmitt, procurador do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), foi feito um pedido para que o confronto fosse adiado por causa da gravidade dos fatos.
Schmitt lembra que a denúncia tem de ser julgada na próxima semana. “Entre as penas existe inclusive a exclusão do Grêmio da competição”, disse. Já Caio César Rocha, presidente do STJD, explica que desde 2009 a Fifa tem adotado uma postura muito rigorosa contra manifestações de racismo em todas as competições de entidades filiadas ao redor do mundo.
O clube gaúcho será denunciado por ato discriminatório e responderá por infração ao artigo 234-G do CBJD. Outra punição cabível ao Grêmio é a multa de até R$ 100 mil. A possibilidade de ver o clube ser eliminado uniu os dirigentes, que estão tomando as medidas necessárias para evitar a punição mais pesada.
Silêncio de Aranha
Aranha desembarcou ontem no Rio, onde o Santos encara o Botafogo no domingo, e preferiu não dar novas declarações. Mais cedo, ele já havia registrado um boletim de ocorrência na 4.ª Delegacia de Polícia na zona norte de Porto Alegre. A reportagem teve acesso ao boletim, que descreve que Aranha foi chamado de macaco e que parte da torcida fazia gestos característicos do primata.
O chefe de investigação Lindomar Souza relatou que o goleiro estava tranquilo durante o depoimento e pediu que os envolvidos fossem localizados.
Família revoltada
A família do goleiro Aranha diz ter ficado muito triste com os atos racistas sofridos pelo atleta do Santos na última quinta-feira durante o jogo da equipe contra o Grêmio, em Porto Alegre. “É inadmissível que aconteça uma coisa como essa. Sinto muito pelo meu filho”, diz a mãe do jogador.
Mãe e irmãos do atleta residem em Pouso Alegre, cidade no sul de Minas Gerais, e assistiam ao jogo pela TV quando tudo aconteceu. A aposentada Benedita Duarte Costa, mãe de Aranha, ficou assustada ao saber do que acontecia com o filho pois, de início, pensou ser apenas alguma confusão atrás do gol do Santos.
Bernardo, enteado do goleiro, desabafou em sua conta do Instagram contra as ofensas que seu pai sofreu durante em Porto Alegre. “Já cansei disso, que palhaçada! Até quando? Isso vai acabar? Eu tenho orgulho de ter um pai negro”, escreveu o garoto.