Milhares de combatentes da Jihad Islâmica se negaram ontem a se desarmar, durante um desfile em uma Faixa de Gaza devastada, um gesto desafiante três dias depois do cessar-fogo que pôs fim a uma sangrenta guerra entre Israel e milicianos palestinos.
Assim como o movimento islâmico palestino Hamas, seus aliados da Jihad Islâmica garantiram não ter intenção de renunciar às armas, uma exigência primordial de Israel.
“Mesmo durante a batalha, nunca paramos de produzir armas e redobraremos nossos esforços (...) com o objetivo de nos prepararmos para a próxima etapa, que será - esperamos - a batalha pela liberdade”, afirmou o porta-voz desse grupo, Abu Hamza, enquanto milhares de combatentes participavam de uma parada militar em Gaza.
Os milicianos desfilaram de uniforme militar e fuzis, assim como com todo tipo de foguetes, incluindo os lançados contra Israel durante os 50 dias de conflito.
“Confirmamos a santidade das armas de resistência, e nossa adesão a elas”, acrescentou o porta-voz dessa organização de inspiração iraniana, segunda força de combatentes em Gaza atrás do Hamas.
Na véspera, o chefe do Hamas, Khaled Meshal, deu declarações parecidas, de seu exílio em Doha. “As armas da resistência são sagradas. Não aceitaremos que estejam na agenda”, declarou Meshal, referindo-se às negociações previstas entre palestinos para transformar em trégua duradoura o cessar-fogo firmado na última terça, 26 de agosto.
Nesse terceiro dia de cessar-fogo, os moradores de Gaza aproveitaram a relativa normalidade no território, onde bairros inteiros foram reduzidos a ruínas pelas bombas em Shejaiya, Beit Hanun, Rafah ou na cidade de Gaza.
Dezenas de crianças da cidade de Gaza brincavam na praia, sem temer novos bombardeios israelenses. Não muito longe, os pescadores se lançaram ao mar para aproveitar a extensão de sua zona de pesca - uma das poucas concessões feitas por Israel em troca do fim do disparo de projéteis contra seu território.
Em Hebron, na Cisjordânia, milhares de palestinos desfilaram após a reza de sexta-feira para celebrar “a vitória em Gaza”. Eles levavam bandeiras do Hamas e réplicas de fuzis e foguetes.