A Otan exigiu à Rússia, em termos muito firmes, o fim de suas “ações militares ilegais” na Ucrânia, mas o presidente russo, Vladimir Putin, declarou que é preciso obrigar Kiev a negociar com os separatistas pró-russos.
“Condenamos firmemente o permanente desprezo da Rússia as suas obrigações internacionais. Pedimos à Rússia que detenha as ações militares ilegais, interrompa o apoio aos separatistas armados e adote medidas imediatas e verificáveis para uma desescalada desta crise”, declarou o secretário-geral da Aliança, Anders Fogh Rasmussen, após uma reunião urgente dos embaixadores dos países membros em Bruxelas.
Alemanha e França também endureceram o tom ontem, classificando de “intervenção militar” a ação das forças russas na Ucrânia e “pedindo que cesse o ruído das botas russas”.
A situação pode sair do controle e degenerar em um confronto direto entre tropas russas e ucranianas, alertou em Milão o ministro alemão das Relações Exteriores, Frank-Walter Steinmeier.
No sábado os líderes europeus vão analisar em Bruxelas a eventual adoção de novas sanções contra a Rússia.
Antes da reunião, o presidente do Conselho Europeu, o belga Herman Van Rompuy, receberá o presidente ucraniano Petro Poroshenko.
Van Rompuy, que está em fim de mandato, poderá ser substituído pelo primeiro-ministro polonês Donald Tusk, cujo país apoia a Ucrânia desde o início da crise.
O ministro polonês das Relações Exteriores, Radoslaw Sikorski, estimou que na Ucrânia há uma “guerra”.
Frente a escalada do conflito, o governo da Ucrânia anunciou sua intenção de retomar o pedido de adesão à
OTAN.
A Aliança Atlântica não fechará as suas portas à Ucrânia se este país desejar se somar à Otan, segundo Rasmussen.
Rasmussen lembrou “a decisão tomada em 2008 pela Otan segundo a qual a Ucrânia seria integrante” da organização. Cada país tem “o direito de decidir por si mesmo, sem ingerência do exterior”, acrescentou o secretário-geral.
Putin: ‘É preciso obrigar Kiev a negociar’
O presidente russo Vladimir Putin declarou ontem que é necessário “obrigar” Kiev a manter negociações “substanciais” com os separatistas pró-Rússia que enfrentam as forças ucranianas no leste do país. “É necessário obrigar as autoridades ucranianas a iniciar negociações substanciais. Não sobre questões técnicas e sim profundas: que direitos terá a população de Donbass, de Lugansk, do sudeste do país”, disse Putin em um encontro dos movimentos juvenis pró-Kremlin.
Pequena Rússia
Segundo alguns analistas, Putin está tentando criar um novo e pequeno Estado na Ucrânia e parece disposto a uma intervenção militar direta para alcançar seu objetivo, indicam analistas.
Analistas indicaram que a mensagem direta aos separatistas representa um passo significativo nos quase cinco meses de combates na Ucrânia, já que Putin parece agora disposto a criar um pequeno Estado independente na Ucrânia.