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Livros "ganham" jovens e mulheres

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 5 min

A chamada literatura fantástica, ainda sob o efeito da onda Harry Potter, continua vendendo muito livro no Brasil e em Bauru. Da mesma forma, os títulos com apelo às narrativas eróticas continuam atraindo, em maioria, o público feminino. É o que atestam editores que visitaram, nesta semana, a 23ª edição da Bienal Internacional do Livro, em São Paulo.     

A “carona” da vez entre jovens, nos últimos anos, tem sido o trampolim das histórias “treinadas” por garotos a partir dos jogos imaginários, saltando para a criação de cenários e roteiros que fizeram milhares de adeptos. É o que sacou a Editora Idea, comandada por Rodrigo Coube, em Bauru.

O empresário encontrou na trilogia da Alvorada do jovem J.H. Paschoal, de Agudos, um texto capaz de seduzir jovens em escala. O autor conta que levou para o livro a comunidade que criou fora do planeta, onde poderes especiais dos habitantes e a inversão de formas de vida (noite e dia, sol e lua), geraram seus capítulos. “Comecei a pensar nesses universos quando era garoto, ao praticar jogos imaginários com os amigos. Desenvolvi meu mundo particular para a formação da trilogia através dos livros”, contou.

De São Paulo, por telefone, Rodrigo Coube, confirma a tendência do mercado. “A Bienal mira best-sellers, mas o foco principal permanece voltado para o leitor jovem ou o público feminino com ênfase para os títulos eróticos. O segmento de literatura fantástica continua seduzindo jovens”, cita. De olho nisso, a Editora Idea lançou, em plena Bienal, Patrícia de Luna com sua “Saga de Bravos” .

A Idea seleciona em torno de 8 títulos por ano. “Não trabalhamos para pulverizar títulos, mas para procurar perfis dentro do público de maior tiragem. Hoje um livro de expressão internacional publica entre 3.000 a 5.000 exemplares, como a obra de Erich Von Dänichen de nosso catálogo. No mercado nacional, quem atinge bom público fica em torno de 1.000 a no máximo 2.000 exemplares”, avalia.


Tendências

Editora chefe da Edusc, Valéria Biondo, acredita que o mercado comercial vai perseguir, nesta etapa, as variações do que vende. “A literatura de consumo traz suas variações com autores novos, nessa onda, com a repetição do estilo ou a recriação desse universo”, posiciona.

Sobre a presença dos livros eletrônicos em detrimento ao físico, a profissional aponta o fator cultural como elemento nacional. “O pesquisador por exemplo gosta de ter o livro nas mãos. O papel ainda é objeto de desejo do leitor brasileiro”, reforça.     

O gerente comercial do Grupo Jalovi, Sérgio Nilo Alves Júnior, ratifica o boom de publicações. “O mercado sente este bom momento. O que tem facilitado essa situação é o aumento de autores e leitores jovens no segmento, sobretudo, de literatura fantástica. Os jovens estão lendo muito mais”, avalia.

Outro fator é a facilidade em publicar livros: “Há maior facilidade em editar livros, seja com edições mais curtas e baratas e por demanda, de pequenas tiragens, seja pela facilidade que esses autores encontram para difundir suas obras entre seus grupos de próximos”.


Publicação em escala ainda continua ditando o mercado

Se por um lado as chamadas publicações familiares fomentam a abertura de novas editoras, com tiragem pequena, o segmento de abrangência, em escala, vai continuar ditando sua escolha pelo fator comercial. Não significa dizer que o mercado é para poucos, mas é “seletivo”.

Ou seja, a exemplo do mercado fonográfico, editar e publicar livros em alcance comercial deve continuar sendo para poucos no Brasil, comenta o economista e consultor Adriano Fabri. “Acesso e preço no custo da obra dão a condição para o autor acessar os títulos, mas o mercado continua com os mesmo critérios de seleção de sempre. O mercado cresceu muito, mas continua tão seletivo como sempre. Sem canal de distribuição, os autores independentes vão continuar na sua faixa de segmento”, observa.

Em particular na área de gestão, seu ramo de ação profissional e consultoria, Fabri conta que “as grandes editoras se concentram em autores vindos principalmente de universidades públicas. É o mesmo ‘vício’ de sempre. Muitas vezes a experiência de mercado é relegada a um segundo plano, valendo somente a experiência acadêmica e científica”.

Entretanto, modismo vale. “Somos frutos e ao mesmo tempo responsáveis pela audiência. Se a TV hoje explora demais o jornalismo sensacionalista, por exemplo, é porque a audiência é atrativa. Ou seja, gostamos de ver notícias sangrentas e de ‘sofrer’. O mesmo acontece com os livros. Não estou comparando os estilos citados com o jornalismo sensacionalista, mas as livrarias acabam buscando o que mais interessa para a maioria das pessoas. Romances e cotidiano acabam por atrair mais o gosto dos leitores”, observa.


Catálogo

Dos autores regionais de olho no público jovem, João H. Paschoal está em plena produção de sua nova trilogia, enquanto a  obra “Primeira Alvorada” leva para as páginas o mundo imaginário que ele aprendeu em jogos de adolescente. Já a autora Patrícia de Luna faz sua viagem pela história medieval com uma história de um amor de dois mil anos. “Saga de Bravos!” Esse é o novo romance de fantasia histórica.

O jornalista Márcio ABC acaba de ambientar a vida de um grupo de jovens em plena ditadura, no emblemático ano de 1976 para a história política nacional, para costurar as reflexões e angústias das novas gerações. O livro “Na pele dos meninos” acaba de ser lançado. Ainda no mercado local, outras tantas escritas saíram da gaveta, como o livro escrito a várias mãos, com poesias, crônicas e descritivos históricos de vários autores em uma homenagem à cidade em “Bauru de todos os tempos”. Concorrente ao prêmio Jabuti do ano passado, a obra de Rafael Gallo já coleciona prêmios. Em “Réveillon e Outros Dias”, o bauruense comemora a fase de poder tirar da gaveta suas histórias: “É um momento fantástico da literatura, onde podemos levar para o público nossos sonhos e histórias que antes ficavam nas gavetas”.  Com prefácio de Gilberto Gil, o cientista e professor Alberto Consolaro, articulista do JC aos domingos, ganhou evidência nacional ao transformar em textos de fácil compreensão ao público leigo suas inflexões sobre o mundo da teoria e do academicismo científico. O “Queremos saber!” trouxe para o mundo da leitura cotidiana a primeira obra não científica do autor. 

 

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