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O combate a parasitas com homeopatia é 10% da despesa com alopatia |
Com o maior rebanho de bovinos do mundo criado com o uso de homeopatia, com 11 milhões de cabeças atualmente, nos pastos brasileiros a adoção das gotinhas para o controle de doenças sem o uso de “venenos” ganha eco em fazendas e, também, em pequenas propriedades. Combatido pelo bilionário mercado da veterinária alopata, onde as indústrias dão chifradas pesadas para pressionar o governo contra a regulamentação dos remédios homeopatas também no agronegócio, como acontece com a fabricação para as drogarias, o segmento das gotinhas vem encantando criadores e é matéria em escala de pós-graduação nas principais universidades públicas do País.
O médico veterinário em Bauru, filho de mineiros com especialização em homeopatia animal pelo Instituto Brasileiro de Estudos Homeopáticos, Mário Ramos de Paula e Silva é um entusiasta como aplicador da alternativa em rebanhos desde 1997, quando ainda utilizava seus experimentos decorrentes dos estudos em vacas leiteiras da produção familiar.
Durante a demonstração do uso de remédio homeopático, em gotas, ministrado por Mário Ramos na boca de um bezerro com poucos meses de vida, o animal dormiu em pouco mais de 30 segundos. O vídeo chama a atenção dos leigos no youtube. Mas a prática não é mágica, nem encantamento, conta Mário. ”A homeopatia trabalha com o conceito de equilíbrio de energia de origem mineral, vegetal e também animal, como nas formulação para a linha humana. Na dose correta definida pelo protocolo o bezerro dorme em menos de um minuto”, comentou.
O trabalho do veterinário está sendo realizado em propriedades como a Fazenda Nata da Serra, uma propriedade orgânica. Grupos como o Carrefour também investem em alimentos orgânicos com a criação de gado para corte com toda a fase de criação e engorda realizada com a homeopatia. Para o trato com o bezerro, ele usa spray na boca. “Essa terapia desbanca também outro mito de que a homeopatia demora para fazer efeito. Na dose certa e para ministrar a indignação do animal que está agitado longe da mãe, ele se conforma e fica tranquilo em segundos após o spray ser ministrado para desmame”.
No transporte de animais, a homeopatia também tem eficiência, conta o veterinário. “Isso também é usado para reduzir o stress no transporte do gado para o abate ou leilão, por exemplo. Na medicina veterinária tradicional utiliza-se várias substâncias químicas que, direta ou indiretamente, geram resíduos no leite ou na carne se não for respeitado o período de carência e isso causa danos aos animais. Comprovadamente a homeopatia não traz esses problemas”.
Mário Ramos se especializou no segmento. “A homeopatia foi uma ferramenta terapêutica que me surgiu na década de 1990 para patologias mais novas. Então fiz especialização de três anos e dai um universo se abriu pra mim. Temos já mais de 10 indústrias farmacêuticas para produtos homeopáticos em produção animal e todas as principais e grandes universidades já atuam com essa ferramenta em pós-graduação”, conta.
Impacto
Mário Ramos compara o uso da homeopatia com a alopatia tradicional. “A homeopatia trata a doença com muito menor impacto para o animal e sobre o produto decorrente do rebanho, por exemplo, como o leite e carne, na comparação com os remédios alopatas e também com um custo muito menor, o que a faz ser rejeitada pelo grande mercado dos fabricantes dos alopatas por causa do choque de interesses de mercado. É um choque que envolve bilhões de reais”, diz.
A experiência na propriedade da família ajudou para os primeiros passos na prática e o desenvolvimento das técnicas e protocolos de utilização. “Meu pai é um produtor de leite e café e desde 1997 eu passei a ministrar homeopatia para o corte ou leite e com muito menor custo, manejo bem mais fácil, porque mistura ao sal no cocho por exemplo, e com muito melhor resposta ao controle dos rebanhos contra ectoparasitas, por exemplo”. As doenças ectoparasitárias mais comuns são a verminose, a proliferação de carrapatos, a mosca do chifre e o berne.
O Leite
Mas a homeopatia também vem tendo sucesso no combate à mastite, a inflamação da glândula mamária que afeta a produção do leite. “A queda na produção do leite pode ser de pelo menos 50% dependendo da gravidade no animal. A homeopatia é uma ferramenta de fácil utilização, misturada ao sal ou ração, portanto de fácil manejo, e com custo final de controle de ectoparasitas que atinge 10% dos remédios alopatas. Sem contar que a alopatia gera consequência sobre a qualidade da carne”, menciona o médico veterinário. O combate ao stress, seja no nascimento ou na produção do corte ou de leite, ou durante o transporte durante a cadeia produtiva, também vem contando com a homeopatia. “O manejo, a movimentação do animal ou o controle da ansiedade do bezerro antes do desmame são algumas das indicações em que a homeopatia atua com muita eficácia”, aposta. Embora o uso em escala mais comum seja em gado, Mário Ramos ressalta que a ferramenta de controle de verminoses e parasitas vai muito bem em aves, equinos e suínos. “Quem tem animal agitado ou agressivo em casa pode e deve procurar um profissional para ministrar o uso de homeopatia. Os resultados são extraordinários e rápidos”, finaliza.
O que é
A homeopatia é uma ciência desenvolvida há 200 anos por Samuel Hahnemann, na Alemanha. O princípio básico é a utilização de medicamentos dinamizados, ou seja, preparados a partir de substâncias animais, vegetais, minerais ou tecidos doentes.
Na dinâmica da preparação a matéria oriunda desta substância impregna as moléculas do álcool (ou açúcar) utilizado determinando nesta suas impressões energéticas, sem alterar sua forma química.
A homeopatia é uma ciência que individualiza o paciente, promovendo a integração entre seus
sintomas físicos e suas características mentais. A veterinária homeopática segue basicamente os mesmos princípios da medicina. Portanto, vê o animal como um todo sustentado pela força vital.
Estudos acadêmicos apontam eficácia da homeopatia
A homeopatia para animais é matéria com boa produção acadêmica entre as principais universidades brasileiras. Curiosamente e a despeito do desenvolvimento da técnica no campo, a Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento, segundo a assessoria de imprensa, não conta com núcleo de estudo a respeito.
Mas as técnicas de manejo com as gotinhas e os protocolos de utilização contam com “receituário” de orientação aos produtores entre integrantes da Embrapa, informa Mário Ramos.
Em forma de pesquisa, a homeopatia de animais já chegou a bancas examinadoras em diferentes cantos do País, como na Universidade Federal de Santa Catarina, por exemplo, onde a doutora Luciana Aparecida Honorato assina dissertação de mestrado pelo Centro de Ciências Agrárias no Programa de Pós-Graduação em Agroecossistemas.
O objetivo do trabalho foi estudar aspectos da interação humano-animal que poderiam ser influenciados pelo uso de homeopatia em bovinos de leite, o que isso gera para a saúde e bem-estar animal e as motivações dos agricultores para adotar ou não a homeopatia.
Para o estudo, a dissertadora escolheu 20 estabelecimentos de agricultores familiares envolvidos na atividade leiteira nos municípios de Antonio Prado e Ipê, ambos do rio Grande do Sul, sendo que nove desses produtores usavam medicamentos homeopáticos no seu rebanho e 11 não usavam.
“A metodologia adotada envolveu observações do comportamento humano (nomear e falar com os animais, contatos positivos e negativos com o gado, uso de maneias na ordenha e uso de objetos e de cachorro na condução dos animais). Para a dissertação, a autora também realizou entrevistas com 27 manejadores para verificar suas atitudes em relação aos animais e observações do comportamento, como o teste de docilidade e distância de fuga das vacas em lactação, além de exames clínicos dos animais.
“As condições de saúde dos animais estavam semelhantes nos dois grupos. Porém, pode-se verificar diferenças comportamentais nos animais, como menor distância de fuga média dos rebanhos sob uso de homeopatia em relação ao rebanho convencional e tendência à maior docilidade nos animais sob uso de homeopatia”, traz o trabalho.
Conforme Honorato, uma das possíveis explicações para a diferença encontrada seria que, com o uso de medicamentos homeopáticos na alimentação há menor movimentação para fins tratamentos veterinários e procedimentos dolorosos e de contenção. “As interações negativas dos tratadores com os animais seriam reduzidas, evitando assim o estresse dos animais”, aborda.
A conclusão na dissertação é de que, a partir dos resultados, “é possível sugerir que a homeopatia, por sua aplicação menos aversiva e seu efeito terapêutico, em combinação com o comportamento dos manejadores, tenham atuado sobre o bem-estar dos animais reduzindo o estresse, num processo de retroalimentação positiva”.
