Quioshi Goto |
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Grupo de Folia de Reis animou os internos da Vila Vicentina |
A música, a dança e os versos da apresentação do Grupo Folia de Reis conseguiram, no sábado à tarde, levar emoção, provocar palmas e até estimular o canto entre internos da Vila Vicentina e seus visitantes. A maioria deles lembrou da infância, época em que a visitação de grupos em homenagem aos três reis magos era mais comum.
Por conta da tradição que Antônio Correia professa há 66 anos, levando a festa católica em vários locais de Bauru e região, Ana Maria de Oliveira, 79 anos, esteve com as filhas no abrigo para acompanhar a manifestação festiva, realizada especialmente no dia 6 de janeiro de cada ano.
Apesar do Acidente Vascular Cerebral (AVC) que a deixou em coma por seis meses, ela ainda sabia alguns versos de algumas das cerca de 12 músicas apresentadas ontem, sendo que a letra da maioria delas é improvisada. “Lembro da minha casa, dos meus pais. Era uma alegria recebê-los. Choro de alegria, de lembrar tempo tão bom”, explica Ilda Feliciana, 84 anos.
Católica, entende a Folia de Reis como uma bênção. Ivandina Silva de Abreu, 83 anos, também gosta ao ponto de pedir à filha levá-la à apresentação. Como é evangélica, assim como os pais, nunca recebeu o grupo em casa, quando ainda era criança. Mas acompanhava a movimentação na vizinhança, assim como, mais tarde, também fez a filha Euzanice Abreu Uehara, que se tornou católica.
Já Mário Lourenço da Silva, 76 anos, que aos 17 anos vivia na colônia de uma fazenda no Paraná, seguia a pé distâncias longas para acompanhar a festa em uma chácara vizinha. “Em fazendas é muito comum”, explica Benedita Florença.
Família
Desde que tinha 10 anos, Antônio Correia celebra a Festa de Reis. Aos 76 anos, incentiva a família a levá-la adiante. Com violão, viola, caixa, pandeiro, reco-reco e fantasias levou esposa, filhos, genros e netos à apresentação de ontem, que durou cerca de uma hora. O único que não é parente é Joaquim Dionízio, 62 anos, integrante do grupo há 14 anos. Caberá a ele e principalmente ao caçula do grupo, Ederson Correia, 10 anos, manter viva a tradição.
