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Noroeste completa 104 anos de maneira discreta


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Sem muito o que comemorar, o Esporte Clube Noroeste completa 104 anos nesta segunda-feira (1º). Um dos símbolos e referências de Bauru, ao lado do sanduíche que leva o nome da cidade, o Norusca está meio distante, afastado e esquecido por aqueles que representa.

O clube de Bauru não tem o nome da cidade. Esta já foi uma crítica comum. O extinto rival Bauru Atlético Clube (BAC), antes Lusitana, tinha. A comparação sempre era feita pelos arquirrivais. Aliás, já houve polêmica na cidade com a uma ideia de trocar o nome da agremiação para algo com Bauru no nome.

Arquivo JC

Não foram todos os torcedores que lembraram, mas Noroeste comemora 104 anos nesta segunda-feira (1°)

Apesar disso, no início dos anos 90, o escudo do time ganhou o nome da cidade. A palavra Bauru está estampada na camisa alvirrubra como para reafirmar que o Noroeste é de Bauru. A partir de então, com raras exceções, todos os uniformes trazem o escudo com o nome gravado.

Problema generalizado

O historiador e jornalista Luciano Dias Pires entende que o fenômeno de diminuição de público nos estádios é generalizado no Interior. “O futebol do Interior está sofrendo muito há vários anos. É o desinteresse da Federação (Paulista de Futebol). Você pega os campeonatos da A-2, A-3 e o público presente nos estádio de 150, 180 pessoas. Não tem ajuda, colaboração”, analisa.

Pires observa que a ausência do “Trio de Ferro”, São Paulo, Palmeiras e Corinthians, e do Santos estrangula o futebol caipira. “Estão tentando até acabar com o Campeonato Paulista. Está resumido. Por exemplo, quando o Noroeste está na primeira divisão, é restrita a presença dos grandes clubes na cidade, só vêm dois”, compara aos tempos em que o Paulistão era disputado em turno e returno e os quatro grandes jogavam em Bauru ano após ano.

O Estadual, naquela época, tinha status de campeonato importante. Hoje, é considerado estorvo pelos quatro grandes clubes do Estado. “Atualmente, o Noroeste também enfrenta a concorrência do basquete (Bauru Basket). Hoje, o basquete conta com apoio de empresas e faz uma bela campanha”, acrescenta Pires.

Não houve renovação da torcida

Houve um tempo em que o Noroeste era um clube com um grande quadro de associados. Os empregados da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil formavam uma massa de torcedores completamente identificados com o clube, eram a motriz da locomotiva vermelha em todos os sentidos, desde o apoio em campo, nas arquibancadas, até no financiamento do clube, através de pontuais descontos em folha salarial. O time viajava pelos trilhos da estrada de ferro e chegou a se apresentar na Bolívia sempre levado pelos cavalos de aço da Noroeste.

Os radialistas J. Martins e J. Augusto, que há décadas são setoristas no clube, concordam que o período de decadência nas arquibancadas se acentuou a partir dos anos 90, coincidindo com uma fase ruim do Noroeste, que amargou 12 anos nas divisões de acesso do Campeonato Paulista. “O fato do time ter ficado 12 anos longe da primeira divisão antes da chegada do seo Damião (Garcia, presidente do clube de 2002 a 2012) não criou novos torcedores. O time estava sempre muito embaixo, sempre na segunda, terceira divisão, e não criou uma geração que foi acompanhando”, aponta Martins.

A consequência desta era apelidada de ioiô é o envelhecimento da torcida e desinteresse das novas gerações pelo Alvirrubro, entende Martins. “Os torcedores que vão hoje são os remanescentes da grande torcida que o Noroeste teve um dia. Não se criou uma nova geração em função da falta de aproximação e da falta de identidade de um clube vencedor. O Noroeste ficou 12 anos na Série A-2, Série A-3. Tudo isso ajudou para o afastamento de uma nova geração. Eventualmente, vai um filho, um neto (dos torcedores mais antigos), mas são poucos”, diagnostica o radialista.

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