Tribuna do Leitor

Centrinho


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Muito me entristece assistir ao desmonte desse hospital, embora não me surpreenda. Deixamos de pensar ou reagir como seres humanos, não somos mais capazes de nos indignar diante das injustiças ou nos solidarizar frente ao sofrimento alheio. A educação deixou de ter como objetivo formar o cidadão e passou a formar empregados, não ensinamos a pessoas a pensar, formar censo crítico e sim as preparamos para um mercado de trabalho competitivo e capitalista. Como bem disse a filósofa Marilena Chauí, "o modelo tecnocrático de gestão voltado à sociedade de mercado dirige a universidade da mesma forma que administra uma montadora de automóveis ou uma rede de supermercados. USP, Volks, Walmart, Vale do Rio Doce são todas administradas da mesma maneira, porque tudo se equivale".

Infelizmente, é nesse contexto que a USP entrega o Centrinho para a Secretaria Estadual de Saúde. Segundo a USP, a prioridade é graduação e o assistencialismo é dever do Estado.

E desde quando reabilitar pessoas é assistencialismo? O HRAC se transformou em referência nacional por acreditar nas pessoas e no seu potencial, pesquisar e desenvolver métodos e tratamentos de excelência que transformam a vida das pessoas que nascem com Fissura Labiopalatina e Anomalias Craniofaciais. Só quem acompanha de perto pode avaliar o significado desse hospital na vida dessas pessoas.

Mas não acreditem quando dizem que é por questões financeiras, o SUS custeia 80% das despesas. É uma decisão baseada num modelo de gestão adotado pelo PSDB no Estado de São Paulo, desde Mario Covas, onde o objetivo da universidade deixa de ser a universalização do conhecimento voltado à sociedade. Ela está ligada à gestão de receitas e despesas, metas, indicadores de desempenho e contratos eficientes (???) e terceirizados de gestão.

O HRAC deixará de reabilitar pessoas para se tornar um mero prestador de serviços de saúde. E os seres humanos de Bauru assistem a essa tragédia, que acontece com o apoio do nosso único representante político na Assembleia Legislativa do Estado passivamente.

Luciana de Arruda Covolan

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