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Universidade Estadual de Bauru - Unibau

Alberto Consolaro
| Tempo de leitura: 3 min

A proposta apresentada já foi concretizada com sucesso em várias outras cidades e estados, inclusive foi a fórmula da fundação da Universidade de São Paulo, oitenta anos atrás! Vou partir do pressuposto que Bauru é o coração do Estado, como gosta de dizer o amigo Zaiden, e como tal, deve pulsar forte! Quando criança e adolescente voraz por leitura e informação, ouvia um termo que hoje brincamos quando dito ou ouvido: "... as forças vivas da cidade!". Virou um chavão, até porque nem sempre são tão vivas assim! Se não mortas, podem estar dormentes e, como tal, podem acordar e, subitamente, num ataque de energia positiva, após um longo período de sono, ressurgir com força total. Gigantes acordam! Que tal o governador Geraldo Alckmin, o deputado Pedro Tobias, o prefeito Rodrigo e os nobres vereadores assumirem esta proposta. Seria muito importante para a cidade.

Em Bauru temos o câmpus da Unesp que já foi uma instituição municipal incorporada à universidade por articulações lideradas à época pelo deputado federal Tidei de Lima e com forte vocação para as ciências exatas e humanas, incluindo-se o Ipmet. Ao seu lado, temos o Hospital Estadual gerido por uma fundação ligada à Unesp. Por aqui também temos o câmpus da USP voltada para as ciências da saúde, incluindo o Centrinho e o polêmico Predião. Ainda na área da saúde, a cidade conta com o Instituto de Pesquisa Lauro de Souza Lima. Todas estas instituições são estaduais e complementares.

As três universidades estaduais estão com problemas financeiros associados ainda a problemas de gestão. Os seus profissionais gestores são escolhidos entre os professores e quase todos não têm formação para administrar grandes orçamentos e estruturas e nem são preparados academicamente para isto. Os problemas de gestão podem estar associados à complexidade e tamanho das três universidades. As "forças vivas" de Bauru poderiam adotar uma campanha, olvidar esforços e alinhar prestígio político e econômico para se criar a UNEBAU ou Universidade Estadual de Bauru. Ela seria resultante da união do câmpus da Unesp, Ipmet, Hospital Estadual, USP, Centrinho e Instituto Lauro de Souza Lima. Seriam três "campi" e uma capacidade de ensino, pesquisa e extensão já instalada.

Sua administração localizada e focalizada em Bauru, sem o gigantismo das outras três universidades, poderia otimizar os recursos, dar excelência maior aos seus serviços e alavancar o desenvolvimento da região central paulista. Ao mesmo tempo, pode diminuir a complexidade administrativa e contábil-financeira da Unesp e da USP, sufocadas em uma crise que parece interminável. As crises e os problemas podem ser alavancas de soluções e oportunidades. Parece claro que estou lendo o pensamento do leitor: - de onde viria o dinheiro? Os cálculos nos orçamentos destas instituições seriam somados e redimensionados, calculando-se o que isto significaria no ICMS do Estado em termos percentuais, juntando-se este percentual ao dado às três universidades.

De concreto, haveria um acréscimo no percentual do ICMS atribuído ao ensino superior, pesquisa e extensão oferecidos pelas universidades. A vantagem para as demais universidades seria que os seus percentuais não seriam reduzidos e seus orçamentos mantidos, mas sem as despesas das instituições incorporadas. Por outro, as demais instituições deixariam de ser ligadas diretamente a secretarias de saúde, de ciência e tecnologia. Em dois anos, bem gerenciada a transição, teríamos uma universidade enxuta e bem organizada que seria orgulho para todos e usufruto para as futuras gerações.

O autor é professor titular da USP em Bauru e articulista do JC

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