João Rosan |
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O protesto ocorreu de forma pacífica; foram feitos bloqueios com fogo |
Moradores da Vila Dutra fecharam, pelo segundo dia consecutivo, mais uma entrada do bairro. O motivo do protesto? É só olhar a pia lotada de louças e a montanha de roupas para lavar da dona de casa Andréia Cristina Lisboa, 30 anos. Ela é uma das várias pessoas que reclamam da falta d’água crítica no local.
De acordo com os moradores, esse problema, conforme o JC noticiou ontem, se arrastra por meses. Gritando palavras de ordem e com cartazes, um grupo de aproximadamente 50 manifestantes interditou o trevo de acesso da Vila Dutra.
Pedras, pneus e madeiras queimadas fizeram o bloqueio, o que causou uma grande coluna de fumaça, onde carros, motos e circulares paravam com bloqueio. Duas viaturas da Polícia Militar (PM) acompanharam o protesto.
“Tenho criança em casa e está impossível viver assim. Você liga no DAE e eles dizem pra ligar no Procon ou comprar uma caixa d´água maior. É desumano viver assim”, desabafa a dona de casa Andréia Lisboa.
Alguns moradores estão utilizando baldes para armazenar água. Crianças estão sem tomar banho e há muita dificuldade para os fazeres domésticos. “ A situação está caótica. Somos obrigados a comprar, para beber e cozinhar. Para lavar roupas ou estocar água em galões, precisamos ficar acordados de madrugada”, afirma a funcionária pública Alessandra de Aguiar Silva, 39 anos.
Moradores também reclamam do serviço de caminhões-pipa, que passaram a abastecer as residências nos últimos meses, como conta a dona de casa Roberta Cristina Ponce Coqueiro, 24 anos. “Solicitamos o caminhão e nem sempre somos atendidos. Quando atendem, demora mais de 8 horas para chegar”.
Outro lado
O Departamento de Água e Esgoto (DAE) alega que o problema com o abastecimento ocorre devido aos dias secos que Bauru viveu antes da tempestade de anteontem. Além do baixo volume de chuva, o calor excessivo, que eleva o consumo, amplia o problema.
A autarquia informou que o nível do Rio Batalha aumentou consideravelmente. Havia expectativa de que, ontem, chegasse a 2,6 metros. Assim, tendia a melhorar o abastecimento do bairro, contudo, informa que há um período de 48 horas para normalizar a situação.
Desfecho
O ato terminou no fim da noite. Segundo Alessandra Silva, uma das moradores que encabeçou o movimento, ela e outro representante do bairro foram convidados a ir até o DAE, ainda na noite de ontem, para conversar com o presidente Giasone Candia.
“Ele não nos deu garantia nenhuma. Disse que o problema só melhorará mesmo em outubro. Vamos fazer novo protesto amanhã (hoje) e podemos fechar a rodovia”, finalizou Alessandra Silva.
