Vários terrenos baldios localizados na “parte baixa” da avenida Comendador José da Silva Martha, próximo ao Recinto Mello de Moraes, servem de depósito de resíduos orgânicos residenciais e até mesmo para descarte de móveis abandonados.
Elisabeth da Silva Soriano, 52 anos, transita pela via com frequência. Para ela, o poder público municipal realiza limpeza e manutenção apenas na parte mais alta da avenida, considerada “nobre”. “Não sei se é falta de interesse do prefeito ou se é somente incompetência da prefeitura”, afirma. “Reclamei na prefeitura ano passado, mas, até agora, nada adiantou”.
Para Elisabeth, é inadmissível existir, na mesma avenida, duas realidades tão distintas, uma conservada e limpa, enquanto outra está abandonada. A moradora conta que há, inclusive, um sofá que foi deixado em um terreno baldio há mais de um ano e que o poder público estaria “fingindo que não vê”.
A divisão das duas realidades da avenida Comendador Silva Martha é o cruzamento com a linha do trem. Desde 2009, o trecho entre o cruzamento com a linha férrea e a Praça Portugal é de responsabilidade da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), enquanto o restante da via fica sob responsabilidade da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma).
O secretário de Meio Ambiente, Valcirlei Silva, rebate a acusação de que o poder público estaria privilegiando apenas o trecho da avenida mais próxima do Centro afirmando que são os próprios moradores que depositam lixo nos terrenos baldios da região mais baixa da Comendador.
Por meio de nota, a Semma informou que, a cada 45 dias, é feita uma limpeza e capinação no trecho da avenida de sua competência, mas não informou quando deverá ser feita nova limpeza na localidade.
A assessoria de imprensa da Emdurb confirmou que a autarquia opera somente até a linha do trem, mas também rejeitou a afirmação de que haveria bairros mais privilegiados que outros na limpeza.