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Drones pra dar e vender

Marcondes Serotini
| Tempo de leitura: 3 min

Moda é moda e vivemos nesta era: a dos modismos. Neologismos, expressões, comportamentos, vestimenta, tecnologias e por aí vai. Os drones estão por toda a parte, a começar pelos noticiários. Os americanos usam de há muito drones militares de um milhão de dólares para a execução de "dirty works", "serviços sujos", como matar líderes terroristas à distância e coletar material radioativo em áreas isoladas.

Drone significa zangão em português. O marido da abelha. Em tradução literal podem ser chamados de VANTs (Veículos Aéreos Não Tripulados), mas é capaz de não colar essa tradução, a exemplo da Aids, que foi traduzida aqui como Sida (Síndrome da Imuno Deficiência Adquirida) sem logro de êxito. Drones estão em todo lugar. O acidente de avião que vitimou o candidato Eduardo Campos teve sua geografia mapeada por quem? Um drone, que sobrevoou a região e produziu imagens interessantes e de ângulos difíceis de atingir com o equipamento tradicional. Mas o Cessna não bateu num drone e caiu por causa disso, como sugeriu um amigo que ouviu a notícia pela metade. Calma aí!

Apesar de que não é de duvidar que se, a célere corrida que se descortina ao derredor destas engenhocas continuar neste compasso, acidentes entre drones irão se tornar rotina e como Abracoursix, o chefe dos gauleses irredutíveis das histórias em quadrinhos de Asterix, o céu irá cair sobre nossas cabeças. Por Tutatis!, como o chefe bradava. O comandante Hamilton, do Datena, está prestes a perder seu emprego porque todas as emissoras comprarão um drone para obter imagens do trânsito caótico das grandes cidades. Tem drone de até 100 mil reais, dotados de câmeras com estabilizadores para melhorar a qualidade das imagens. Não é à toa que para o fim do ano a Anac irá se coçar para entregar um texto regulamentando atividades e voos de aeronaves não tripuladas.

Que aeromodelos (drones antigos) levam drogas para traficantes nos presídios e que programas de televisão já se utilizaram deste expediente, todos sabem. A perda de privacidade patrocinada pelas autoridades escrita por George Orwell na obra 1984, personalizada pelo Big Brother, tem nos drones seu maior parceiro. Invadindo o espaço aéreo, observando de cima, com o vetor de noventa graus sobre nossas cabeças e atitudes, nos restará nada além de continuar a fazer selfies e fotografar ou filmar tudo sem parada, para fazer coadjuvância com este estado de compartilhar a vida na internet.

Você terá um desses aparelhos voadores na sua casa. Os Jetsons em desenho animado nos anos 70/80 sugeriam que no futuro um robô faria os serviços domésticos, mas diante de tantos móveis e utensílios no ambiente, as máquinas iriam viver derrubando e quebrando coisas. O seu drone simplesmente voa. As cervejas, as pizzas, o controle remoto, tudo passará a ser fabricado com um ganchinho ? ou um avançado sistema magnético, se assim o quiserem ? para que o mini-helicópetro previamente configurado alcance o que você quiser, a hora que lhe bem aprouver e onde estiver aquilo que desejas. Drones na agricultura, a serviço dos Correios, da Cruz Vermelha, da ONU, da Otan e ao extinto Pacto de Varsóvia. Mas já pensou um treco desses nas mãos de terroristas e mal feitores? Lá vem a humanidade dando um passo a frente e dois pra trás. Não pelos drones ou qualquer coisa que o valha: mas pela ignominiosa mente perversa do homem.

O autor é escritor, colaborador de Opinião

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