Tribuna do Leitor

Agora aprendi a ler jornal


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A crônica "O papel do jornal", do ilustre jornalista João Jabbour, publicada recentemente (18/08) no jornal "Segunda-Feira" e a capa do JC sob o título "Jornal, Está em tudo", da ANJ (Associação Nacional de Jornais), que acompanhou outra edição diária do JC, motivaram-me para uma auto-avaliação no tempo levando em conta os jornais que já li em minha vida. Há quarenta anos tive um cunhado de saudosa memória que era um assíduo e ansioso leitor do inesquecível "Diário de São Paulo" e que devido aos compromissos de bancário na Capital sentia-se na obrigação de fazer a leitura diária antes de sair para o trabalho. O exemplar sobre a mesa, com o indicador corria e lia as manchetes e demais títulos internos e dizia. "Pronto, já li o jornal". E não eram decorridos mais do que 3 minutos. Pasmem os amigos leitores que já naquele tempo havia a preocupação em se ganhar tempo.

Transcorridas décadas, há atualmente assinantes e leitores que fazem do mesmo modo uma leitura dinâmica tal aquela que procedia o inesquecível parente bancário, fundamentando-se naquele argumento de "falta tempo" e em outro, bastante discutível e polêmico, de que o jornal "só traz notícia ruim"; "nada que presta"; "nada que se aproveite". Penitencio-me porque também já fiz parte desse crítico contingente de leitores de jornal, portador de uma descrença e desencanto. Como estamos vivendo em uma época de constantes mudanças em tudo, faz-se necessário que o discernimento sobre jornal também mude. Temos que entender que a função ou papel do jornal é informar, registrar tudo o que acontece na comunidade e no mundo. Se optar em apenas publicar notícias "boas", que agradem, ou "ruins" com o objetivo de nortear segurança contra a violência, estará fugindo de sua função ou papel que é de comunicar e informar. Cabe ao leitor selecionar o que lhe interessa ou não, e é justamente o que faço ao ler o jornal diariamente.

Passo por cima dos títulos ou informações sobre acidentes e outros fatos chocantes familiares, muito embora faça uma leitura dinâmica só para não ficar desinformado, atento-me àquelas que me interessam. E como há matérias importantes, construtivas e altamente positivas nos jornais! A profusão de excelentes informações e matérias deste mundo globalizado é tão grande que é impossível, mesmo para um aposentado como eu, ler todas em um mesmo dia. Aquela preocupação do meu citado parente, que herdei mas abandonei, de acompanhar obrigatoriamente as notícias diárias de um jornal, deixei, melhor dizendo, reformulei despreocupando-me com as notícias fresquinhas do dia. Mudei minha postura, mesmo porque muitas são repetidas. Não conseguindo ler uma edição de domingo do "JC" ou da "Folha de São Paulo", o que é muito difícil pela quantidade de matérias boas e interessantes, selecionando os cadernos que as contêm, guardo-os para ler nos dias subsequentes que podem ser até em outra semana. Em suma, o jornal é uma biblioteca temporária que está às mãos, para quando tiver disponibilidade de tempo. Quanto àqueles que afirmam o desaparecimento do jornal impresso, substituído pelo digital, transcrevo os dados publicados pela capa citada no introito, de responsabilidade da ANJ: "No Brasil, 73 milhões de pessoas leem jornais impressos e 50 milhões leem notícias pela internet". Esses dados nos levam a uma reflexão, convicção e nos impulsionam a uma reaprendizagem.

Prof. Joaquim Eliseo Mendes - ABLetras

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