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Entrevista da semana: Messias Ribeiro da Silva

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 5 min

Ele diz que o segredo de saúde de um atleta de 85 anos é não beber, não fumar, dormir e acordar cedo, mas se esquece de mencionar o bom humor e o alto astral, características marcantes da personalidade do entrevistado de hoje: Messias Ribeiro da Silva, uma “figura” que é lição de vida para qualquer um. 

 

A simpatia é apenas mais uma das qualidades dele, que recebeu a equipe do JC em sua residência com um cafezinho preparado pela prendada esposa Alzira. Ele nos contou que sua história com as corridas começou já na terceira idade, aos 67 anos, no Clube da Terceira Idade de Pederneiras, cidade em que vive desde 1951 e onde também casou-se e construiu uma bela família ao lado de sua “cara metade”, como carinhosamente chama dona Alzira. 

 

Aposentado, o corredor já fez de tudo um pouco na vida: “Já fui lavrador, encanador, pedreiro, eletricista, trabalhei em olaria, fui dono de banca de jornal durante 30 anos...” 

 

Filho de uma infância sofrida, “seu” Messias é exemplo de superação: “Aos três anos de idade eu perdi meu pai. Pedia comida de casa em casa. E assim fui crescendo. Mas hoje tenho minha família. Minhas meninas são todas professoras. Um orgulho para mim”, diz o colecionador de medalhas e troféus. Leia mais sobre a entrevista que o “atleta de Pederneiras” concedeu ao JC, a seguir.   

 

Jornal da Cidade - O esporte sempre foi um companheiro?

Messias Ribeiro da Silva - Toda a vida eu gostei de esportes, mas eu comecei a praticar corrida aos 67 anos. Eu participo do Clube da Terceira Idade de Pederneiras e tudo começou quando me inscrevi em uma corrida no clube. Gostei da brincadeira e não parei mais (risos). 

 

JC - A julgar pelo número de medalhas e troféus, já foram centenas de provas percorridas...

Messias - Ah, perdi a conta. Só de medalhas eu tenho quase 200, e de troféus, uns 140. Eu participo de maratonas e de corridas de curta distância por toda a região e fora dela. Também já corri em outros Estados, como o Paraná. Só em Curitiba eu já fiz sete maratonas e ganhei cinco delas. 

 

JC - O senhor tem algum patrocínio?

Messias - A prefeitura de Pederneiras  ajuda com o transporte. Tenho um amigo que corre comigo, o Domingos Orsi, que pesquisa corridas pela Internet e faz nossas inscrições. Outro amigo, o José Cláudio Granja, também me ajuda. 

 

JC - Qual é o segredo de um atleta de 85 anos?

Messias - Tem segredo, sim. É não beber, não fumar, dormir cedo e levantar cedo. Ah, e pagar as contas em dia (risos). Eu sou uma pessoa da amizade, sabe. Meu negócio é ir para a rua conversar com as pessoas e fazer amizade. Não aguento ficar parado em casa. 

 

JC - Quando se aposentou, qual era a sua profissão?

Messias - Eu era auxiliar de escola, mas já trabalhei em tudo. Eu perdi meu pai aos três anos de idade. Nasci em Arealva e minha infância foi muito dura. Eu pedia comida nas ruas e assim fui crescendo. Em 1951, vim para Pederneiras e aqui eu construí minha família. Já fui lavrador, encanador, pedreiro, eletricista, trabalhei em olaria, fui dono de banca de jornal durante 30 anos. Vendi muitas edições do Jornal da Cidade lá.  

 

JC - O senhor conheceu sua esposa em Pederneiras?

Messias - Sim. Naquela época, os jovens passeavam nas praças. As moças andavam de um lado e os rapazes do outro para a paquera. E foi assim que nos conhecemos, começamos a namorar e logo nos casamos. Estamos juntos há mais de 50 anos e tivemos sete filhos (um deles já falecido). Já temos oito netos e uma bisneta. Minha  “nota 10” vai para minha esposa, minha cara metade.  

 

JC - Qual é a preparação do atleta Messias?

Messias - Ah, eu gosto de alimentos simples e básicos, como arroz, feijão e uma costela bem gorda (risos). Antes de uma corrida eu intensifico os treinos, mas normalmente, corro duas ou três vezes por semana. Mas jogo vôlei duas vezes por semana no Clube da Terceira Idade, sou o único homem no meio da mulherada (risos), ando de bicicleta, jogo basquete e futsal como goleiro. Não gosto é de ficar parado. Também adoro ler. De tudo. É um exercício para  a cabeça.   

 

JC - Qual foi o maior percurso já percorrido pelo senhor?

Messias - Eu já fui destaque na São Silvestre e venci cinco das sete Maratonas de Curitiba, percorrendo os 42 quilômetros de ponta a ponta. Neste domingo (hoje) vou correr uma de 12 quilômetros, em Jaú.   

 

JC - Sobre a vida. 

Messias - Viver para mim é fazer amizade e conversar. A amizade é fundamental para a vida de uma pessoa. É algo que não se compra e, graças a Deus, eu sou um homem de muitos amigos pela cidade. Por onde eu passo as pessoas me param para conversar e perguntar sobre as corridas. Até mesmo as crianças. É muito divertido. Eu me considero um homem muito feliz. O que eu passei na infância não está escrito, pedindo comida de porta em porta. E hoje tenho meus filhos. As meninas são todas professoras e os meninos seguiram cada um a sua profissão. É um orgulho para mim. Meu pai e meus irmãos eram alcoólatras. Eu não bebo. Sou como aquela ovelha que se separa das outras.  

 

JC - Um momento triste.

Messias - Foi a morte do meu filho Messias Henrique. Morreu muito jovem. Era um esportista, um homem muito inteligente.   

 

JC - Uma alegria.

Messias - Quando corro eu me sinto muito, mas muito feliz. Fico emocionado só de falar. Mas uma corrida foi especialmente marcante para mim. No ano retrasado, participei e venci uma prova realizada pela Associação Luso Brasileira de Bauru.  Quando o locutor me chamou para dar o troféu, o pessoal começou a me aplaudir sem parar, porque eu ganhei o primeiro lugar. Eu chorei, como estou fazendo agora (risos). 

 

 

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