Renan Casal |
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Autoridades públicas como a Polícia Militar fizeram parte do desfile |
Em ano de eleições, o Dia da Pátria foi marcado pela política e pela empolgação do público no desfile cívico. Com sol e temperatura agradável, que não passou dos 26 graus durante a manhã, aproximadamente 14 mil pessoas se reuniram no Sambódromo de Bauru neste domingo.
Joyce Bortolato, de 30 anos, foi prestigiar seus companheiros da Igreja do Evangelho Quadrangular e conta que faz questão de assistir ao desfile todos os anos por tradição e por amor ao País. “Acho que a minha presença reforça esse sentimento, que é muito importante para quem ainda acredita no Brasil”, conta.
Não à toa, ela faz questão de levar o filho Willen Rafael Felício, de 3 anos, que, apesar da idade, participou, ontem, das comemorações do 7 de Setembro pela segunda vez. “Esses hábitos a gente tem que cultivar desde cedo”, acredita a mãe.
O desfile contou com a participação de 57 grupos e teve início com a banda do Comando do Policiamento do Interior 4 (CPI-4), da Polícia Militar, que também garantiu a trilha sonora para a passagem dos representantes das Forças Armadas.
O Tiro de Guerra e o Canil da PM levantaram o público presente nas arquibancadas, estimado em 10 mil pessoas. Mas o ápice ficou por conta do helicóptero Águia, que sobrevoou o sambódromo, com direito a acrobacias aéreas.
Fanfarras e alunos de escolas municipais, estaduais e particulares também encantaram. O prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) foi homenageado por funcionários do Serviço de Atendimento Móvel e Urgência (Samu).
Outros agentes públicos desfilaram no 7 de Setembro. Entre os mais aplaudidos, os responsáveis pela limpeza das ruas. Mesmo com a tarefa de colaborar com os trabalhos no Sambódromo depois do evento, em pleno domingo, Ana Maria da Silva, 50 anos, mostrou disposição de sobra.
“É a primeira vez que desfilo e adorei a experiência, ainda mais por ser tão reconhecida por todas as pessoas que nos aplaudiram. Com certeza, a gente ganhou mais gás para ajudar com a limpeza na hora que acabar”.
CANDIDATOS
A campanha política também deu o tom do desfile de ontem. Muitos candidatos compareceram ao sambódromo, mas evitaram o palanque em função da rígida legislação eleitoral.
Nos arredores do Sambódromo, no entanto, era grande o número de apoiadores com bandeiras e que deixavam santinhos dos postulantes a deputado nos veículos estacionados nas ruas do Geisel, cujas calçadas foram tomadas por cavaletes.
REFORMA
Muita gente que passou pelo desfile também deixou clara a insatisfação com o atual modelo político do País, participando do plebiscito popular organizado nacionalmente por movimentos sociais, em favor da Assembleia Nacional Constituinte Exclusiva e Soberana para a Reforma Política.
Algumas urnas foram disponibilizadas pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) durante a manhã de ontem, no Sambódromo.
Ingrid Paola Carvalho, 30 anos, foi assistir ao filho desfilar, mas aproveitou a oportunidade para votar pela Constituinte. “A gente sente que precisa mudar porque passa eleição atrás de eleição e as coisas ficam na mesma. Talvez esse seja um caminho, uma alternativa”, acredita a dona de casa.
Carnaval
Diversas entidades marcaram presença no desfile deste domingo. Os alunos da educação especial eram alguns dos mais animados. Uma das “alas” da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), inclusive, levou para o Sambódromo um toque de Carnaval. Muito aplaudida, a aluna Andréa Salvaterra, 35 anos, brilhou como baiana, com a saia que revelava uma grande bandeira do Brasil.
O tom político ficou por conta da Associação de Pais para a Integração Escolar da Criança Especial (Apiece), que, com uma faixa, pediu a tão importante igualdade de direitos.