Internacional

Sete afegãos são condenados à pena de morte por estupro coletivo


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Um juiz afegão condenou sete homens à morte, ontem, por terem estuprado quatro mulheres em um caso que gerou indignação e deu destaque à violência contra a mulher no país desde a era do Talibã.

 

Os sete acusados foram considerados culpados pelo sequestro e estupro de um grupo de mulheres que voltavam de carro para casa em Cabul, vindas de um casamento.

 

O presidente Hamid Karzai havia pedido que os réus fossem enforcados. Tecnicamente, as penas de morte foram proferidas pelo crime de assalto à mão armada, e não pelo estupro.

 

Em um julgamento de poucas horas transmitido pela televisão, a Corte ouviu que os homens, com uniformes da polícia e armados, pararam um comboio de carros na manhã de 23 de agosto.

 

Eles arrastaram quatro mulheres para fora dos veículos, roubaram seus pertences, espancaram-nas e, depois, cometeram os estupros. Uma delas disse que estava grávida.

 

“Fomos a Paghman com nossas famílias. Na volta, eles nos pegaram”, contou uma das vítimas, vestida de burca, ao tribunal, enquanto pessoas protestavam, pedindo a pena de morte.

 

“Um deles colocou uma arma na minha cabeça, o outro levou todas as minhas joias, e o resto começou o que vocês já sabem”, detalhou.

 

Os aplausos tomaram a Corte depois que o chefe de polícia de Cabul proferiu a sentença de pena de morte por enforcamento. O presidente deve ratificar a sentença de pena de morte para que ela seja executada.

 

Direitos da mulher

 

Desde a queda do regime talibã em 2001, os direitos das mulheres têm sido considerados centrais nos projetos multibilionários para o desenvolvimento do Afeganistão.

 

Pelas leis do regime talibã, as mulheres eram forçadas a vestir burca, proibidas de trabalhar e não podiam sair de casa sem a companhia de um homem.

 

Segundo a Anistia Internacional, o estupro e a violência contra mulheres e meninas eram frequentes, mas as afegãs continuam sendo rotineiramente discriminadas, abusadas e perseguidas. O estupro das quatro mulheres desencadeou uma onda de protestos nas ruas do país, na mídia e na Internet, ecoando crimes parecidos ocorridos na Índia.

 

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