Esportes

Base forte

Mariana Gasparini
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Gaspar Nobrega/Inovafoto

Armador de 22 anos foi destaque na classificação contra Argentina

Quem acompanhou a vitória da seleção brasileira de basquete sobre a Argentina por 85 a 65, em Madri, valendo vaga nas quartas de final da Mundial de Basquete, no último domingo (7), pode ver a atuação brilhante do armador Raulzinho, de 1,85m.

Poucos sabem, mas Bauru está em peso nas quadras do Mundial. Além de Raulzinho e dos três jogadores cedidos pelo Paschoalotto/Bauru, a cidade também pode se orgulhar de Leandrinho Barbosa, ala/armador que foi campeão brasileiro (2002) pelo então Tilibra/Copimax e que deixou a cidade para jogar no Phoenix Suns, da NBA. Antes, ele dividia a armação das jogadas com Raul Togni Filho. Hoje, Leandrinho atua ao lado de Neto, filho de Raul.


Quase fora

Raul Togni Neto morou seis anos em Bauru e fez parte da equipe de base da Associação Luso-Brasileira (Luso), na época, comandada pela ex-jogadora de basquete e ex-seleção Simone Bighetti.

Embora o jovem de 22 anos tenha anotado expressivos 21 pontos na partida de domingo (7) - se tornando o cestinha do jogo - a realidade poderia ter sido diferente. “Quando ele tinha treze anos, parou de jogar basquete. Estava desanimado com a modalidade, estressado com a pressão e responsabilidade que ele carregava. Até porque, no colégio, ele jogava futebol sem todo este peso em cima. Mas ele conseguiu ficar longe das quadras apenas por um mês. Ainda bem”, relembra Simone.


Em Bauru

 

Natural de Belo Horizonte, Raulzinho teve contato com o esporte desde criança, já que seu pai, Raul Togni Filho, atuou nas quadras por duas décadas, na mesma função do herdeiro e também vestiu a camisa da seleção brasileira. Aliás, sua chegada à Cidade Sem Limites veio através do pai, que mudou-se para cá com a família para defender o Tilibra/Copimax, no final dos anos 90.

Dessa maneira, com apenas nove anos, Raulzinho começou a treinar nas categorias de base da Luso e se destacou por suas habilidades fora dos padrões. “Ele sempre impressionava a todos nos treinos e nos jogos, era diferenciado. Fazia jogadas e lances incríveis. Costumo dizer que ele tinha mais a nos ensinar do que nós a ele”, cita a ex-treinadora que o comandou de 1999 a 2005.  

              

Evolução

 

Após sair de Bauru, Raulzinho voltou a sua cidade natal e começou a jogar pelo Minas Tênis Clube, onde ficou até se tornar profissional e ir à Europa defender o Lagun Aro, da Espanha. “Eu sempre acreditei que ele um dia chegaria no topo porque conheço toda a sua genialidade como atleta, além de ser uma excelente pessoa. Ele merece tudo o que está acontecendo em sua vida”, ressalta Simone.

Antes de atuar neste Mundial, o armador foi draftado para a NBA, em 2013, pelo Atlanta Hawks e depois para o Utah Jazz, seu atual clube.

Os elogios à atuação do camisa 5 da seleção vieram de todas as partes: o presidente da franquia da equipe do Jazz, Randy Rigby, disse que ficou impressionado com a atuação do armador e que “tem uma joia em seu time”. Além disso, companheiro de seleção, o pivô Nenê aposta no jovem como “o futuro do basquete brasileiro”.

“Assisti o jogo junto com meu marido e com a Jacy Guedes (também ex-jogadora da modalidade e ex-seleção). Nos emocionamos muito em ver a atuação do Raulzinho. Estou muito feliz e orgulhosa de ter feito parte de sua história e colaborado com o que ele é hoje”, conta Simone.     

 

Espelho em casa

Filho do ex-jogador e ex-técnico de basquete Raul Togni Filho, Raulzinho tem um verdadeiro espelho dentro de casa. Seu pai foi um ótimo armador com vários títulos no currículo e atuou em grandes clubes como Minas, Flamengo, Franca, Corinthians, São Paulo, COC/Ribeirão e encerrou sua carreira em Bauru, clube onde foi campeão brasileiro em 2002 e técnico em 2006. “Bauru foi uma etapa muito importante na vida do Raulzinho. Aqui ele teve várias contribuições e aprendizagem, assim como em todos os clubes que ele passou. Fico muito feliz em ver Bauru com importantes nomes e voltando à elite do basquete brasileiro. A cidade merece pela paixão que tem pelo esporte”, fala Raul Filho.   

Quanto à atuação do herdeiro na seleção, o pai se diz emocionado e orgulhoso. “Nem sendo o pai mais otimista do mundo eu poderia imaginar que o Raulzinho faria um jogo tão brilhante como aquele. Eu liguei pra ele depois que o jogo acabou e disse que chorei muito quando ele nasceu e que, naquele momento, eu estava na mesma situação”, fala, agora, aos risos.

 

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