As reais chances de vitória da independência da Escócia no referendo do dia 18 começam a causar impacto não só na política do Reino Unido, mas também na economia, atingindo a moeda (libra) e ações de bancos e empresas escoceses.
Diante da disputa acirrada, líderes políticos fizeram novos apelos ontem contra a reviravolta a favor da separação, divulgada em pesquisa no fim de semana.
O ex-premiê Gordon Brown, do Partido Trabalhista e contra a independência, foi a público propor um pacote de medidas de autonomia ao Parlamento escocês, hoje um órgão regional com poderes limitados. Nascido na Escócia, Brown sugeriu que nova legislação comece a ser discutida logo após o referendo.
O movimento de Brown segue discurso do governo britânico, dirigido pelo conservador David Cameron, de dar mais liberdade financeira e política à Escócia em troca de seus moradores votarem contra a separação.
Pesquisa do instituto YouGov, divulgada pelo “The Sunday Times”, apontou, pela primeira vez, o voto “sim”, a favor da separação, numericamente à frente do “não”, num placar de 51% a 49% -excluindo os indecisos.
“O perigo é essas medidas parecerem desespero e não serem totalmente recebidas com confiança pelos escoceses”, disse Andrew Blick, professor de ciência política do King’s College, de Londres.
O referendo conseguiu unir os dois principais partidos para evitar o desastre político que seria o desmantelamento do Reino Unido, selando o fim de uma união de mais de 300 anos entre escoceses e ingleses.
Pesquisa do instituto YouGov, divulgada pelo “The Sunday Times”, apontou, pela primeira vez, o voto “sim”, a favor da separação, numericamente à frente do “não”, num placar de 51% a 49% -excluindo os indecisos.
O levantamento mostra ainda que os escoceses têm considerado a campanha pela independência muito mais positiva e eficiente do que a contrária à separação.
Com o impacto da pesquisa, a libra desvalorizou nesta segunda 1,3% em relação ao dólar, chegando a US$ 1,61, o menor patamar em dez meses. Há uma semana, estava em US$ 1,66. Ações de grandes empresas escocesas foram afetadas pela virada nas pesquisas, assim como de bancos, entre eles o Royal Bank of Scotland e o Lloyds Banking Group.