O Dia Nacional do Cerrado, comemorado em 11 de setembro, foi instituído no governo Lula em agosto de 2003, como forma de valorizar o bioma. Patrimônio natural, terra dos povos indígenas, quilombolas, geraizeiros, vazanteiros, quebradeiras de coco, agricultores familiar. Homens e Mulheres que vivem no bioma e atuam como guardiões. Mosaico ecológico, savana da maior biodiversidade mundial, abriga cerca de 33% da biodiversidade brasileira. Possui aproximadamente 320 mil espécie de animais, sendo 90 mil de insetos e 2.500 de vertebrados. A flora apresenta mais de 12 mil espécie de plantas, sendo que 44% são endêmica.
Berço das águas e caixa d´água do Brasil, a região do Cerrado é ponto de encontro entre Amazônia, o Nordeste e o Sul, nascentes de grandes rios brasileiro: Araguaia, Tocantins, Parnaíba, São Francisco, Paraná e Paraguai, o que demostra a riqueza dos recursos hídricos do Brasil e demais países do sul do continente. O Cerrado possui 5% de toda a biodiversidade do planeta. Faz a conexão para o fluxo das chuvas do norte para o sul do país, fenômeno conhecido como "Rios Voadores". Contém vastos estoques de carbono, especialmente no subsolo. Apresenta várias fisionomias, que vão da formação savânica com árvores baixas e retorcidas, até as formas mais robustas com aspecto florestal.
Ao longo de 12 mil anos de ocupação humana, a diversidade ecológica desse bioma proporcionou a variedade de meios de vidas e estratégicas de uso e convivência com a natureza. Os povos do Cerrado, primeiramente os indígenas, usavam o Cerrado sustentavelmente. Com a chegada dos primeiros colonizadores, exploradores ávidos por ouro e diamantes marcaram primeiro impacto ambiental no Cerrado. Após o ciclo do ouro, sucede a criação extensiva de gado e a agricultura de subsistência que também afetaram o bioma. Mais tarde a construção de Brasília, o fluxo migratório, a diáspora sulista, a demanda de madeira para a construção civil fizeram a população do centro-oeste aumentar em até seis vezes, intensificando ainda mais os impactos ambientais no bioma. E o desmatamento não parou por aí. Atualmente, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o bioma já perdeu 48% de sua área. Se contabilizar também áreas degradadas, o número pode chegar a 70%. Ainda nos períodos de estiagem, de maio a setembro, o Cerrado arde em chamas, pela ação das queimadas. Se olharmos a crescente demanda por terras para cultivo de graõs, extensas áreas em monoculturas, é mais desmatamento
A dinâmica persistindo em menos de 40 anos restarão apenas remanescentes de vegetação, distribuídos em Unidades de Conservação. Destruindo o Cerrado, coloca-se em risco a disponibilidade dos recursos hídricos, o regime pluvial de chuvas, a vida da fauna e de seus povos. No bioma, são milhares de homens e mulheres que trabalham para o fortalecimento de modelos mais sustentáveis, evidenciando que terra não é mercadoria. O agroextrativismo, estratégia para o desenvolvimento sustentável do bioma, para geração de renda, sobrevivência, segurança alimentar e cuidado com o meio ambiente. A agrofloresta que propicia a reintegração do homem com a natureza em um ambiente autodinâmico e produtivo. Conservar e preservar é missão e compromisso desta gente para manter o Cerrado vivo e em pé. Viva o Cerrado!
O autor é licenciado em Geografia