Tribuna do Leitor

Amor sem limites


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"A torcida Sangue Rubro agita nas arquibancadas e manda boas vibrações para os jogadores em campo, hoje o Noroeste pode ser bicampeão da copa paulista".

Aí está o último título narrado por Silvio Luiz, naquele domingo ? atípico ? de manhã em São Paulo. O último suspiro de um grande time do Interior paulista, centenário e amado pela velha guarda de Bauru.

Com a pior a situação de sua história, quase que aos trancos e barrancos, a Maquininha fez 104 anos. O time que já foi a fonte de alegria de muitos, hoje em dia só nos faz ouvir deboches de rivais e faz as quartas, domingo, sábado ou quinta (dias de jogos) tristes. Onde há um vago espaço de lembranças daqueles times que já foram de Jairzinho, Baroninho ou até Otacílio Neto.

Ah... anos dourados da Maquininha do interior, donde até os "grandes" tinham medo de vir a Bauru enfrentá-lo. Aquelas arquibancadas do Alfredo de Castilho, que já se passaram por tantos jogos, estão corroídas pelo tempo e ainda há quem diga que ouve os batuques e cantos de amor ao time. Mas o que será que aconteceu? Falta de apoio da cidade? Má administração? Jogadores de vontade? Aliás, o time só começou a ir ladeira abaixo após a saída de Damião Garcia, homem forte, o presidente que colocou a "mão na massa" e teve gosto de comandar o time.

Os bauruenses tornavam-se ali fãs de outro esporte: basquete. Com a chegada forte do Bauru Basquete com títulos e um verdadeiro esquadrão de bons jogadores, o rubro foi sendo deixado de canto devido aos maus resultados e rebaixamentos seguidos (hoje na ultima divisão do paulista e sem divisão no Brasileirão).

Com um gosto amargo e uma carência de time de futebol para os torcedores que não optam por segundo time ? fora o Noroeste - novamente tentaremos ano que vem de levantar a cabeça e torcer, e muito, para não acontecer o pior: fechar as portas.

Parabéns, Norusca, pelo seus 104 anos. "Se um dia, por acaso, o Noroeste deixar de existir, não torceremos por outro time, não teríamos coragem, apenas seremos amantes do futebol e nada mais".


Marcos Cassiano


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